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Dulce Rodrigues, escritora

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A SALSA, para tonificar o seu organismo e aromatizar os seus petiscos
(do latim "Petroselinum Sativum")
 
 

 
 

Salsa
Salsa (no meu jardim em Portugal)

História: A salsa é originária das regiões orientais da bacia mediterrânica e, devido às suas propriedades medicinais, a sua utilização remonta a mais de dois mil anos.

Na antiga Grécia, a salsa era dedicada a Perséfona, a esposa de Hades e rainha do Mundo subterrâneo, e decoravam-se as sepulturas com coroas de salsa. Tanto os vencedores dos jogos Nemeus como dos Ístmicos - que substituiram os anteriores jogos fúnebres onde se comemorava a morte de personagens importantes - eram igualmente homenageados com coroas de salsa, conforme nos canta o poeta grego Anacreon (VI século a.C.). O célebre médico Galeno diz ter copiado do templo de Asclépio (o deus grego da Medicina), na ilha de Cós, uma fórmula antiga atribuída a Hipócrates que era composta por salsa, tomilho, funcho e anis, plantas que eram depois reduzidas a pó e misturadas ao vinho. Quando se referiam a alguém que estava a morrer, os Gregos costumavam usar a frase "estar a precisar de salsa"...

Na Roma antiga, usava-se a salsa para dar sabor aos alimentos e decorar os pratos, e os Romanos punham-na à volta do pescoço durante os banquetes pois julgava-se que absorvia os vapores do vinho. Colocavam-na também nos pratos para proteger a comida de possível contaminação e porque acreditavam que evitava as intoxicações. Usavam-na ainda para purificar o banho e afastar o infortúnio. Os Romanos foram os primeiros povos a consumir a salsa em larga escala.

Na Idade-Média, acreditava-se que a salsa era uma das plantas que cresciam no jardim das bruxas e que as suas sementes iam e vinham nove vezes de visita ao diabo antes de germinarem. Esta crença tem a sua origem na Grécia antiga, onde as pessoas acreditavam que as sementes de salsa visitavam o mundo subterrâneo (outro-mundo) antes de despontarem. Acreditava-se ainda que se podia matar uma pessoa apanhando um pé de salsa e pronunciando ao mesmo tempo o nome dessa pessoa. Segundo Santa Hildegarda de Bingen, que viveu no século XII, o vinho de resina à base de salsa estimula a circulação sanguínea.

A salsa foi levada para o Novo Mundo no século XVII, onde se tornou uma das ervas aromáticas mais utilizadas em culinária.

Origem do nome: O nome latino petroselinum deriva da palavra grega petra, que significa "pedra" ou "rocha", e selinon que designa as plantas umbelíferas próximas do aipo como a salsa propriamente dita, mas é possível que o nome evoque a utilização medicional da planta contra os cálculos (petra=pedra) dos rins ou da vesícula.

Cultivo: A salsa é uma planta simples que encontra sempre um lugar em qualquer jardim, tanto plantada em plena terra ou em vaso grande. A salsa é bisanual (embora seja normalmente plantada como anual, pois o seu gosto é mais amargo no segundo ano) e muito rústica: pode suportar até 40° C negativos. Conforme o clima, a germinação das suas sementes pode ser de 2 a 3 semanas. É aconselhável semear directamente no sítio, de Março a Agosto, e o espaço recomendado entre as futuras plantas é de 20-30 cm. A salsa aprecia o sol, mas nos países quentes, como Portugal, prefere um lugar a meia-sombra.

Utilizações comuns: Na cozinha*, utiliza-se geralmente a salsa fresca e acabada de picar, rica em vitamina C: uma colher de sopa de salsa cobre dois terços das nossas necessidades diárias desta vitamina. A salsa contém ainda vitaminas A e B, assim como inúmeros sais minerais e oligo-elementos: potássio, cálcio, fósforo, ferro e manganésio. É este último, aliás, que estimula a função depurativa do fígado, e uma colher de sopa de salsa fornece um terço das nossas necessidades diárias deste elemento. A salsa lisa - geralmente a que se cultiva em Portugal - tem mais vitaminas do que a frisada e o seu aroma é também mais forte.

Em uso externo, a aplicação de folhas esmagadas de salsa acalma as picadas dos insectos, e a sua infusão aclara a tez. Para quem deseja refrescar o hálito, sobretudo quando comeu alho, recomenda-se mastigar folhas de salsa.

* Utilize de preferência salsa crua e acabada de picar, pois o calor destrói as vitaminas e os sais minerais. Evite, se possível, a salsa liofilizada, que tem menos aroma e virtudes do que a planta fresca. A salsa suporta bem a congelação, por isso, meta-a num recipiente para congelação (os cubos de gelo, por exemplo), depois de a ter lavado e picado. Cada vez que precisar de salsa, tire um pouquinho com uma colher.

As virtudes da salsa: A salsa exerce uma acção muito benéfica sobre o aparelho digestivo, actuando sobre as flatulências e outros sintomas semelhantes. Enquanto que planta medicinal, a salsa é usada sobretudo para estimular a função renal, mas a tradicão popular aconselha-a para regularizar o ciclo menstrual, devido às suas propriedades estrogénicas, pois toda a planta contém um óleo essencial, do qual um dos componentes, o apiol, tem uma acção regularizadora das regras.

Como a salsa tem uma acção estimulante sobre o útero, é preferível que o seu consumo seja moderado durante a gravidez. Depois do parto, em contrapartida, a salsa favoriza a retracção do útero, mas pode impedir a subida do leite.

A salsa é um tónico geral que estimula o apetite e facilita a digestão. É depurativa e desinfectante do tubo digestivo e das via urinárias e, sob a forma de infusão, tem um efeito diurético e favoriza a eliminação de pequenos cálculos renais. Deve, contudo, ser evitada por quem tem problemas de inflamação renal.

A raíz e os frutos são as partes da planta mais utilizadas em farmácia.

ADVERTÊNCIA: A salsa é desaconselhada às mulheres grávidas. Não é por acaso que as sementes (fruto) da salsa eram utilizadas antigamente para provocar o aborto espontâneo.

© Dulce Rodrigues

 

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