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História: A relação dos povos do Mediterrâneo com a oliveira é quase tão antiga como esses mesmos povos. Esta árvore tem desde tempos imemoriais
sido associada a práticas religiosas e a tradições, a usos culinários e medicinais, e muitos são os mitos e simbologias que se lhe atribuem: vitória,
paz, progresso, abundância, sabedoria, justiça e fertilidade - para só citar os mais importantes.
Segundo referências na Bíblia, a oliveira já existia quando Adão e Eva foram criados. Uma lenda conta que quando Adão chegou aos 930 anos de idade se lembrou de que o Senhor lhe tinha
prometido o óleo da misericórdia para redenção dos seus pecados e dos da Humanidade. Enviou então o seu filho Seth ao Jardim de Éden, onde um querubim lhe deu três sementes da árvore do Bem e do Mal.
Essas três sementes germinaram na boca de Adão depois da sua morte e delas nasceram três árvores no cimo do Monte Tabor, no vale de Hebron: a oliveira, o cedro e o cipreste.
A Bíblia diz-nos também que quando Noé enviou uma pomba branca para saber se as águas do dilúvio já tinham baixado, a pomba regressou com um ramo de oliveira.
E foi assim que Noé incluiu esta árvore entre as quatro primeiras plantações que efectuou: a oliveira, a figueira, a vinha e o trigo.
Na antiga Grécia, as mulheres que queriam ter filhos permaneciam por longos períodos à sombra das oliveiras, a fim de que o seu desejo fosse realizado.
Diz-nos também ama outra lenda que, um dia, os deuses gregos Poséidon e Atena discutiram um com o outro sobre quem daria o seu nome à cidade que depois ficou conhecida como Atenas.
Para acabar com o diferendo, os outros deuses decidiram que aquele que fizesse a melhor oferenda à humanidade teria esse privilégio.
Poséidon lançou o seu tridente sobre a praia e imediatamente apareceu um cavalo. Mas Atena arremessou a sua lança contra o chão e daí nasceu uma oliveira. Foi a deusa que ganhou, pois a oliveira é símbolo de paz.
Quando os Romanos conquistaram a Península Ibérica, ficaram maravilhados com o azeite que se produzia na região que é hoje o Alentejo e começaram a exportá-lo para Roma.
O geógrafo e historiador grego Estrabão menciona essas exportações, e o historiador romano Plínio refere nos seus escritos as oliveiras, que nessa mesma região do Alentejo cresciam entre as cearas, e descreve a maneira como eram podadas.
Igualmente os Visigodos e, mais tarde, os Árabes, foram povos que desenvolveram enormemente a cultura da oliveira no território que é hoje Portugal.
E é aos Árabes que se deve o nome português do fruto da oliveira e do óleo que do mesmo é estraído.
Efectivamente, ao contrário do que acontece nas outras línguas latinas, azeitona e azeite vêm respectivamente das palavras árabes az-zeitúnâ e az-zeit.
É sobretudo com Dom João I, no século XV, que o cultivo das oliveiras atinge o seu apogeu em Portugal, especialmente nas regiões entre Évora e Coimbra, estendendo-se ao longo do vale do Tejo, desde Lisboa até Santarém.
Em 1572 aparecem as primeiras directivas para a extracção do azeite, e as licenças para exercer esse ofício eram concedidas através de cerimónia em que o candidado prestava sermão sobre as Sagradas Escrituras.
Todo este processo era uma garantia da competência profissional dos produtores e da qualidade do azeite.
Nos séculos XVII e XVIII, a oliveira era cultivada em quase todo o território português, pelo que foram criadas áreas de Origem Protegida, e a exportação de azeite tomou
tais proporções que a parte da produção destinada a consumo interno se viu seriamente ameaçada, levando mesmo à especulação.
Presença da oliveira em nomes próprios e de lugares: Esta omnipresença da oliveira no território português perpetuou-se até aos nossos dias nos nomes de vilas e
aldeias, como Oliveira de Azeméis ou Oliveira do Bairro, ou noutros como Azeitão, mais alusivos ao óleo que dela se extrai. Igualmente encontramos referências à oliveira em apelidos de
famílias, do Norte ao Sul de Portugal: "de Oliveira" ou "Oliveira de".
Utilizações na cozinha: Também a gastronomia tradicional portuguesa é um testemunho da presença da oliveira na cultura portuguesa - dos pratos de bacalhau às cataplanas, passando pelos migas alentejanas, quase nenhum cozinhado português dispensa o azeite.
E o nosso folclore encerra em si próprio algumas belas canções associadas à apanha da azeitona. Um período houve, todavia, há algumas décadas, em que certas "modernidades" deveras nefastas, sobretudo para a saúde,
conduziram a que o azeite fosse injustamente tratado e relegado para segundo plano. O conhecimento científico recente tem vindo, felizmente, a reabilitar o azeite e a cozinha tradicional dos povos do Sul, provando as suas virtudes na prevenção de doenças cardiovasculares,
na protecção contra certos cancros, no controle dos níveis de colesterol, para só citar algumas das doenças que atormentam o Homem moderno. O azeite é o sumo da azeitona e conserva todas as vitaminas (é uma fonte de vitamina E), antioxidantes e propriedades do fruto de que é extraído.
Este precioso óleo declina-se em "azeite extra virgem", o melhor, quase sem acidez e obtido por primeira pressão a frio; "azeite virgem", de categoria um pouco inferior e com um nível de acidez ligeiramente mais elevado; e "azeite", mistura de óleo e de azeite virgem.
Guardado num sítio fresco (à temperatura ideal entre 8 e 15 graus) e escuro, o azeite pode conservar-se durante 18 meses. Se colocado no frigorífico, o azeite fica turvo, mas basta deixá-lo de novo à temperatura ambiente para que recupere a limpidez.
Em Portugal, contrariamente ao que se passa na maior parte dos outros países igualmente produtores de azeite, as garrafas mencionam sempre a percentagem de acidez do azeite, o que representa uma garantia de qualidade para o consumidor.
Dulce Rodrigues
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