CONTACTO    ACTIVIDADES    MÍDIA    EDUCAÇÃO & LEITURA    LIVROS    PLANTAS    LENDAS    GASTRONOMIA


Dulce Rodrigues, escritora

páginas em francês   páginas em português   páginas em inglês

HOME

Introdução

Aipo ou Salsão

Alho

Carvão vegetal

Cereja e Ginja

Chagas ou Capuchinhas

Coentros

Estévia

Oliveira

Noz de Acaju

Salsa

Tomilho

Urtiga

 

Livro de Visitas

LIVRO de VISITAS


 
 

COENTROS, para aromatizar alimentos e combater bactérias
(do latim "Coriandrum Sativum")
 
 

 
 

Coentros
Coentros (no meu jardim em Portugal)

História: Os coentros são originários da bacia mediterrânica e do Médio Oriente. Foram provavelmente dos primeiros condimentos cultivados, tendo sido conhecidos e utilizados na farmacopeia sumérica e babilónica há já cinco mil anos, como o testemunham as placas de argila com caracteres cuneiformes encontradas nas ruínas de Nippur.

Também se encontram referências a esta planta em textos sânscritos, na Bíblia (Números, 11:7); Êxodo, 16:31) e no Papiro Ebers (presumivelmente de 1550 a.C.), onde é referido que os Egípcios faziam macerar os coentros no vinho para aumentar um certo estado de exaltação a que podemos chamar embriaguez. Os coentros foram igualmente encontrados no túmulo de Tutankamon (cerca de 1343 a.C.).

Os Gregos acreditavam que a planta tinha propriedades afrodísiacas e, segundo o médico grego Dioscórides (cerca de 40 – 90 a.D.), ingerir coentros podia aumentar a apetência sexual masculina. Hipócrates (cerca de 460 – 377 a.C.), por sua vez, consagrou aos coentros um tratado completo com o título “Korion”.

Quanto aos Romanos, adicionavam folhas de coentros quando coziam legumes e cevada, e Virgílio (70 – 19 a.C.) descreve um molho feito com sementes de coentros, arruda, segurelha, hortelã, aipo selvagem, cebola, tomilho, alho e poejos.

Também existem referências à planta na China, durante a dinastia Han.

Na Idade Média, a planta era utilizada para preparar filtros de amor, e foi mencionada como um afrodísiaco no livro “As Mil e Uma Noites".

Origem do nome: O nome da planta em português e na maior parte das línguas europeias tem origem em coriandrum, o nome em latim da planta, que é derivado da palavra grega koríandron ou koríannon. Há quem pense, por sua vez, que a raíz da palavra grega poderia ter derivado de koris (percevejo) e seja uma alusão ao aroma forte da planta, quando friccionada, que faria lembrar o cheiro daquele insecto. Nada prova essa teoria.

Cultivo: Os coentros são plantas anuais que apreciam solos férteis e bem drenados, temperaturas amenas e exposição ao sol, embora prefiram meia-sombra nas regiões mais quentes. É uma planta que não gosta de ser transplantada, pelo que é melhor semeá-la directamente no lugar, desde meados da Primavera até princípios do Verão, desbastando depois, para que cada pé tenha espaço suficiente; recomenda-se cerca de 30-40 cm de espaçamento entre as plantas. Colha as folhas logo que comecem a aparecer. A época de floração é de Maio a Setembro, dependendo das condições climatéricas. É uma planta que merece um lugar não só no canteiro das ervas aromáticas e condimentares, mas também no jardim.

Se desejar ter coentros frescos durante bastante tempo, siga esta dica. Quando a planta atingir uns 7-9 cm, comece a cortar as folhas de um pé de cada vez, dando a volta a todos os pés em cerca de uma semana, o que permitirá ter coentros sempre frescos para os seus cozinhados e saladas, visto que as folhas dos coentros não suportam bem a secagem nem o congelamento. Se plantar em vasos, semeie com duas semanas de intervalo, a fim de conseguir uma colheita sem interrupção.

Utilizações comuns: Nos coentros, todas as partes se aproveitam. As folhas (e as flores) servem para condimentar saladas; com as sementes fazem-se infusões que ajudam à digestão e extrai-se óleo para variados fins: adicionado a certos medicamentos disfarça-lhes o sabor; usado em fricções, alivia as dores reumáticas dos músculos e articulações. Geralmente, as sermentes são tostadas antes de se reduzirem a pó, para fazer ressaltar o sabor.

Os coentros são também ervas condimentares muito comuns na culinária de alguns países mediterrânicos e orientais, como a Índia, e ainda na América do Sul, sobretudo no México. Na Etiópia, usam-se as folhas picadas para dar aroma ao pão, aos molhos e aos pratos de caça. Quanto a Portugal, as folhas picadas são especialmente utilizadas no Alentejo, em pratos como a açorda à Alentejana ou os pezinhos de coentrada, e muitos outros; ou no Algarve, como as conquilhas à Algarvia ou o arroz de conquilhas. De um modo geral, não se usam na gastronomia do norte do país.

Na Argélia, são as sementes que, adicionadas de sal e pimenta, se usam para conservar os alimentos, e consomem-se as raízes cozidas, como um legume. Noutros países, as sementes empregam-se na preparação de licores e outras bebidas espirituosas, como o “Bénédictine” ou o “Izarra”, dois licores produzidos em França. São também usadas em pastelaria, como no caso do “pain d’épices” (pão ou bolo de especiarias) ou do “läckerli”, deliciosos biscoitos de Basileia.

As sementes utilizam-se também nas marinadas, nos caldos, para aromatizar as charcutarias, os guisados, os pastéis ou outras preparações culinárias, ou ainda para aromatizar o vinagre.

No campo da aromaterapia, a planta continua a ser amplamente utilizada no fabrico de sabões, desodorizantes, e há mesmo pastas dentífricas com aroma de coentros.

Esta planta é melífera, podendo o mel ser produzido um pouco por todo o lado, mas isso é raro, excepto na Europa de Leste (Roménia e Bulgária) e na Rússia, onde é apreciado pelo seu aroma forte.

Utilizações medicinais dos coentros: Numerosas são as virtudes atribuídas aos coentros, mas a planta é conhecida sobretudo pelas suas propriedades digestivas e carminativas (eliminação de gases intestinais). Hoje em dia, é utilizada em fitoterapia, homeopatia e em aromaterapia.

As infusões de sementes de coentros auxiliam a digestão, diminuem os gases intestinais e abrem o apetite. Foram por vezes incorporadas nos rebuçados e guloseimas semelhantes para evitar que as crianças apanhem indigestões, e a água de coentros era receitada para aliviar as cólicas. Na China, continua a aconselhar-se uma infusão de sementes de coentros contra a desinteria e o sarampo. Na Índia, usa-se a decocção das sementes para lavar (desinfectar) os olhos. De um modo geral, as sementes de coentros são usadas para dar melhor gosto a numerosas preparações medicinais, como os laxativos.

Quanto ao óleo extraído das sementes, tem propriedades antisépticas, propriedades essas que Discórides parecia já conhecer, pois recomendava o óleo no tratamento de infecções urinárias.

Recentemente, uma equipa de investigadores portugueses da Universidade da Beira Interior, verificou que o óleo de coentros é tóxico para um grande número de bactérias perigosas, como Escherichia coli, Salmonella enterica, Bacillus cereus e MRSA. Num estudo publicado no “Journal of Medical Microbiology”, os autores concluíram que o uso de óleo de coentros na comida e em agentes clínicos pode evitar intoxicações alimentares e mesmo tratar infecções resistentes aos antibióticos. O composto responsável por esta acção antibacteriológica é o dodecenal.

© Dulce Rodrigues

 

Referências:
1. Filomena Silva, Susana Ferreira, João A. Queiroz and Fernanda C. Domingues, Journal of Medical Microbioly, jmm.0.034157-0; published ahead of print August 23, 2011, http://jmm.sgmjournals.org/content/early/2011/08/23/jmm.0.034157-0.
2. Kathi Keville: L’Encyclopédie des Plantes de Santé, Éditions Rustica, Paris, 1995, ISBN 2-84038123-0.
3. Mercedes Domínguez e Ricardo Gomez, Novo Guia das Plantas Medicinais, Ediclube, Amadora, ISBN 978-972-719-427-8.
4. Becker-Dillingen, Handbuch des gesamten Gemüsebaues, einschliesslich der Küchenkräuter., 6. Auflage, P. Parey, 1956, S. 685-686.
5. Vilmorin-Andrieux & Cie: Les Plantes Potagères - Description et culture des principaux légumes des climat tempérés - Coriandre, Quatrième Édition, 1925, S. 207-208.
6. E. Small: Culinary herbs, 2. Ausgabe, NRC (National Research Council) Research Press Canada, 2006, S. 315-320, ISBN 978-0-8248-2094-7.
7. J. Seidemann: World spice plants, Springer, 2005, S. 116-117, ISBN 978-3-540-22279-8.
8. H. Schlicher, S. Kammerer und T. Wegener : Leitfaden Phytotherapie, Ausgabe 3, Elsevier,Urban&FischerVerlag, 2007, S. 154-155, ISBN 978-3-437-55342-4.
9. "dhania". Oxford Advanced Learner's Dictionary.
10.Charlton T. Lewis. "coriandrum". A Latin Dictionary.
11.Coriander", Oxford English Dictionary, 2nd Edition, 1989. Oxford University Press.
12."The Linear B word ko-ri-ja-da-na". Palaeolexicon.
13.Ramcharan, C. (1999). "Culantro: A much utilized, little understood herb". In J. Janick. Perspectives on new crops and new uses. ASHS Press. pp. 506–509.
14.Gernot Katzer. "Coriander Seeds and Cilantro Herb". Spice Pages.
15.Tucker, A.O. & T. DeBaggio. 1992. Cilantro Around The World. The Herb Companion. Ap.-May. pp. 36–41.
16.M. Fragiska, Wild and Cultivated Vegetables, Herbs and Spices in Greek Antiquity, Environmental Archaeology 10, vol. 1, 2005, p. 73-82.
17.M. Grieve, A Modern Herbal : The Medicinal, Culinary, Cosmetic and Economic Properties, Cultivation and Folk-Lore of Herbs, Grasses, Fungi, Shrubs & Trees with their Modern Scientific Uses, New York, Dover Publications, 1971 (1re éd. 1931) [lire en ligne [archive]]
18.Antoine Jacques Louis Jourdan, Pharmacopée universelle : ou, Conspectus des pharmacopées d'Amsterdam, Anvers ... des dispensaires, de Brunswick, de Fulde... des pharmacopées militaires de Danemark, de France, de Prusse... des formulaires et pharmacopées d'Ammon, Augustin..., vol. 1, Paris, J.B. Baillière, 1840, 2e éd. (1re éd. 1828) [lire en ligne [archive]], p. 545 s.v. Coriandre.
19.M. Bajpai, A. Mishra et D. Prakash, Antioxidant and free radical scavenging activities of some leafy vegetables, International journal of food sciences and nutrition, vol. 56, no 7, 2005, p. 473-481 [résumé [archive]]
20.I. Kubo et al., “Antibacterial activity of coriander volatile compounds against” Salmonella choleraesuis, Journal of Agricultural and Food Chemistry, vol. 52, no 11, 2004, p. 3329-3332 [résumé [archive]]


ENVIE O SEU COMENTÁRIO - Gostaria da sua opinião

 
 
 



Como utilizar as plantas?
Como utilizar as plantas?

Infusões de plantas
Infusões de plantas



Siga Dulce Rodrigues no Google

Siga Dulce Rodrigues no Facebook Siga Dulce Rodrigues no YouTube Siga Dulce Rodrigues no Pinterest Siga no LinkedIn  

Copyright © Dulce Rodrigues, 2000-2016. Reservados todos os direitos.