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Dulce Rodrigues, escritora

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AS CEREJAS, analgésico e diurético naturais
(do latim "Prunus cerasus" e "Prunus avium")
 
 

 
 

ginjas

História: Qando falamos de cerejas pensamos geralmente nos frutos da cerejeira doce (Prunus avium), mas a verdadeira cerejeira é a ginjeira ou cerejeira amarga (Prunus cerasus), que é um parente próximo da primeira. Entre as espécies ornamentais, encontramos a cerejeira do Japão (Prunus serrulata).

A cerejeira amarga (ginjeira) já era conhecida dos Gregos por volta de 300 a.C. e foi introduzida em Roma, por volta de 70 a.C., pelo famoso general romano Lucius Licinius Lucullus, que a trouxe de uma cidade da Ásia Menor, situada junto ao Mar Negro, na actual Turquia, a que os Romanos chamavam Cerasus e que os Gregos conheciam como Kerasous.

Lucius Lucullus era não só um grande general romano, mas também um homem muito culto e um requintado gastrónomo. Tinha sempre o hábito de trazer espécies arbustivas e outras plantas das regiões onde se desenrolavam as suas campanhas militares e, segundo os relatos históricos, teria sido na cidade de Cerasus que ele descobriu a ginjeira e tê-la-ia trazido para Roma depois da vitória contra Mitrídates VI, rei do Ponto.

Foram os Romanos que introduziram a ginjeira nos restantes territórios do império, e foram os primeiros colonos de Massachussetts que plantaram a primeira ginjeira em solo norte-americano.

Em Portugal, já desde o século XV que a ginja era um fruto popular, sendo utilizada igualmente com diversos fins medicinais. Por volta de 1755 vulgarizaram-se em Lisboa os estabelecimentos que vendiam ginjas mergulhadas em aguardente – daí evoluíu a conhecida “ginjinha”.

Em Washington D.C., nos Estados Unidos, realiza-se todos os anos na Primavera o Festival Nacional das Cerejeiras em Flor, que comemora as cerejeiras ornamentais (cerejeiras do Japão) que a cidade de Tóquio ofereceu à cidade de Washington em 1912, cerejeiras essas que estão plantadas no Parque de Tidal Basin.

A flor da cerejeira é considerada sagrada na Índia e, segundo a lenda, nas casas onde há flores da cerejeira nunca falta nada.

O Japão e a cerejeira: No Japão, a variedade de cerejeira ornamental (Prunus serrulata) esteve desde sempre associada aos samurais, cuja vida era tão bela e efémera quanto a da flor da árvore. A cerejeira também está associada ao hanami (literalmente, "contemplar as flores"), o costume tradicional japonês de apreciar a beleza das flores, especialmente as flores de cerejeira. A partir de fins de Março ou princípios de Abril, as cerejeiras ornamentais estão em flor por todo o Japão, o que marca o começo da Primavera. Em 2009, a abertura oficial da estação da floração em Tóquio foi adiantada cinco dias, facto alarmante que se atribuiu ao aquecimento climático e que preconiza futuras perturbações, não só a nível do clima do Japão mas também de todo o planeta.

cerejeira do Japão
Cerejeira do Japão no Jardim Botânico de Genebra

A cerejeira está de tal modo enraizada na cultura japonesa que, durante a Segunda Guerra mundial, a flor de cerejeira servia de símbolo para motivar o povo japonês. Antes de partirem para missões suicidas, os pilotos nipónicos pintavam flores de cerejeira nos flancos dos seus aviões, e o próprio governo encorajava os Japoneses a acreditarem que a alma dos soldados mortos em combate se reincarnava em flores de cerejeira.

Origem dos nomes: Na sua generalidade, cerejeira é o nome dado a várias espécies de árvores originárias da Ásia e de algumas regiões da Europa como o Mar Cáspio e o Mar Negro. Como vimos acima, foi da antiga cidade de Cerasus que o general romano Lucius Licinius Lucullus trouxe para Roma a primeira árvore de cereja amarga (ginja). Esta cidade chama-se hoje em dia Giresun, mas foi do seu nome na Antiguidade que derivou o nome científico do fruto e o nome comum em várias línguas. Os Turcos chamam à cereja kiraz. Em francês, o nome da cereja é cerise, em inglês cherry, em alemão Kirsche. Cereja, evidentemente também tem a mesma origem.

Em contrapartida, ginja vem da palavra francesa guigne, nome dado às cerejas de polpa firme e cor entre o vermelho escuro e quase negro, nome esse de origem francique (guisne).

Quanto ao nome da cerejeira ornamental do Japão, a que os Japoneses chamam sakura, parece ter origem nos samurais, aos quais a árvore e as suas flores estiveram desde sempre associadas, como nos conta a Lenda da Cerejeira.

Cultivo: As cerejeiras gostam de climas com Invernos frios e chuvosos e solos ricos e húmidos, mas bem drenados. As ginjeiras são árvores normalmente mais pequenas do que as cerejeiras doces e estão menos sujeitas a doenças. Contrariamente à maior parte das variedades doces, as ginjeiras são autopolinizadoras.

Os gulosos poderão plantar morangos à volta das cerejeiras, pois as duas plantas são bem compatíveis e o prazer da gulodice (saudável) será duplamente satisfeito.

Utilizações: Umas espécies de cerejeiras são frutíferas, outras são aproveitadas como madeiras nobres, outras admiradas pela beleza espectacular da sua floração. As cerejas doces são servidas ao natural e muito apreciadas pelo seu gosto agradável e polpa macia e suculenta. As ginjas, de polpa mais firme e sabor mais ácido, são normalmente consumidas em conservas, compotas e bebidas licorosas como o "Kirsch", o "Cherry", o "Marasquino" e, claro, o famoso "licor de ginja" e a "ginjinha" ou ginja de aguardente portuguesa.

Na região de Bruxelas, fabrica-se uma cerveja de ginja - chamada "Kriek", literalmente, cereja em flamengo.

As virtudes da cereja e da ginja: As cerejas contêm elevadas percentagens de ferro, potássio e vitamina A e são muito ricas em frutose e glicose. Estudos recentes por investigadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, mostraram que as cerejas são analgésicas nomeadamente em casos de artrites e gota, pois a sua composição química natural é comparável à da aspirina e de anti-inflamatórios semelhantes, mas sem as contra-indicações destes. As suas virtudes antioxidantes são superiores às das vitaminas E e C, mas para que estas produzam efeito é necessário comer pelo menos 20 cerejas por dia (= um comprimido) – o que certamente será um prazer...

Nos casos de prisão de ventre, parece dar resultado comer cerca de 1 kg de cerejas por dia.

São, todavia, os pés de cereja, ou melhor de ginja, que têm sido utilizados desde há séculos com fins medicinais. Exercem uma verdadeira acção diurética sem efeitos secundários, permitindo assim limpar todo o organismo e eliminar as toxinas acumuladas no corpo. Esta acção produz-se graças aos antioxidantes naturais (flavonóides) e aos sais de potássio contidos nos pés de cereja, que estimulam a eliminação tanto urinária como digestiva, combatem a retenção de água e assim aliviam a sensação de “pernas pesadas”, podem ajudar quando de dietas de emagrecimento equilibradas e aliviam no caso de inflamações das vias urinárias no decorrer de infecções urinárias (cistites). Favorecem também a eliminação de cálculos urinários e tratam as hipertensões moderadas.

ADVERTÊNCIA: Nunca se devem misturar cerejas com alimentos que contenham amidos (geralmente alimentos feculentos, como as batatas) e evitar também com lacticínios (derivados do leite).

© Dulce Rodrigues

 

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