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Dulce Rodrigues, escritora

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O AIPO, planta afrodisíaca de Gregos e Romanos
(do latim "Apium graveolens")
 
 

 
 

Aipo de cortar
Aipo de cortar (apium graveolens secalinum)

História: O aipo, planta originária da região mediterrânica, era tido como afrodisíaco por Gregos e Romanos, que o consideravam um estimulante erótico e de virilidade masculina.

Na Grécia antiga, o aipo era um símbolo ctónico, portanto, associado às divindades que habitavam as profundezas da terra e ao culto dos mortos, talvez em virtude do cheiro e da cor das suas folhas, com as quais se faziam coroas para os mortos. É provável que o aipo fizesse parte do ritual dos “mistérios” que se celebravam na cidade de Tebas e nas ilhas da Samotrácia e de Lemnos em honra das divindados ctónicas chamadas Cabiros.

Os Gregos tinham o aipo em tão alto apreço que as coroas dos vencedores dos Jogos ístmicos foram inicialmente feitas de folhas de aipo e só mais tarde passaram a ser feitas de pinheiro. Segundo Plínio o Velho, as grinaldas usadas pelos vencedores do Jogos Nemeus eram também feitas de folhas de aipo.

Outras referências literárias ao aipo na Grécia antiga encontram-se, por exemplo, na Ilíada, onde Homero menciona que os cavalos dos Mirmidões pastam em pântanos de aipo silvestre à volta de Tróia; e na Odisseia, em que ele nos diz que a gruta da ninfa Calipso estava rodeada de prados de violetas e de aipo silvestre.

A antiga colónia grega de Selinunte (Selinus em Latim), na Sicília, foi chamada assim por causa do aipo que ali crescia espontaneamente e em abundância, e o símbolo da cidade era uma folha de aipo, símbolo esse que se encontra também cunhado nas moedas desta antiga cidade.

Mas, não foram os Gregos os únicos a apreciar o aipo. Também os Egípcios parecem tê-lo usado para celebrações ligadas ao culto dos mortos, pois no túmulo do faraó Tutankamon foram encontradas grinaldas feitas com folhas e inflorescências de aipo.

Gostaria, contudo, de chamar a atenção para o facto de que não é certo se estas referências dizem realmente respeito ao aipo e não à salsa. Efectivamente, algumas das mesmas lendas aparecem também para a salsa e, na Antiguidade, existia uma certa confusão em relação à salsa e ao aipo. Na rubrica sobre a origem do nome esclareço a razão do meu septicismo relativamente a muitas das referências da Antiguidade.

O aipo só começou a ser cultivado na Europa a partir da Renascença.

Origem do nome: O nome científico do aipo é apium graviolens L., o que significa "cheirar intensamente" (latim gravis grave, intenso, e olens cheirar do verbo olere). No Brasil, chama-se salsão ao aipo, devido à sua semelhança com a salsa; aliás, ambas as plantas pertencem à família das Apiáceas, que também inclui outras plantas hortícolas ou aromáticas como as cenouras, o cerefólio, o funcho, os coentros, os cuminhos e tantas outras. O nome correcto em bom português é aipo, que vem da palavra latina apium. Em algumas línguas como o francês, o inglês, o alemão, o nome da planta deriva da palavra do dialecto lombardo seleri (plural de selero) que tem origem no baixo-latim selinon, por sua vez latinizaçáo da palavra grega selenon que queria dizer “planta da lua”, pois a deusa grega da lua chamava-se Selene. A mais antiga forma grega da palavra é se-ri-no, escrita em Linear B, a escrita silábica do período Micénico.

Como selenon parece ter sido também o nome por que era chamada a salsa na Antiguidade grega, tenho sempre muitas dúvidas se efectivamente as referências antigas dizem respeito ao aipo ou à salsa. Se no século XXI nos deparamos ainda com imensos erros de tradução de uma língua para outra, podemos imaginar quanto essas situações eram vulgares na Antiguidade.

Cultivo: O aipo é uma planta herbácea bisanual, originária da região mediterrânica, onde crescia no seu estado selvagem. É pouco exigente quanto ao solo e à necessidade de água, pelo que a rega deve ser pouco frequente; mas se for cultivada em vaso ou jardineira é necessário regar com mais frequência, sobretudo no Verão. Convém, contudo, remexer o solo periodicamente para evitar o aparecimento de ervas daninhas. Suporta temperaturas entre 5º C e 30º C, mas dá-se bem sobretudo nos climas temperados, com temperaturas de 10ºC a 25ºC.

As variedades cultivadas mais comuns do aipo são dulce (aipo em rama), rapaceum (aipo-rábano) e secalinum (aipo de cortar). Plante a uma distância de 30 cm; se cultivar em vaso, este deve ter um diâmetro mínimo de 30 cm também.

As virtudes do aipo: As folhas do aipo são uma fonte de vitaminas A, B e C. A planta fornece ainda sais de sódio, potássio (anti-oxidante que evita a destruição das células), fósforo, cálcio e silícia, pelo que é um óptimo remineralizante. É anti-reumatismal, depurativo do sangue e combate a obstipação. Contém fitoestrogéneos, pelo que é um bom alimento quando da menopausa.

O aipo combate ainda a perda de memória, pois contém uma substância que, ajudada pelas bactérias da boca, facilita a dilatação dos vasos sanguíneos e a fluidificação do sangue, melhorando assim o afluxo de sangue a certas zonas do cérebro que, com o tempo, são menos irrigadas. Pensa-se que se comermos aipo todos os dias, ou pelo menos com regularidade, poderemos prevenir certas doenças mentais que aparecem com a idade, pois que a irrigação do cérebro é, assim, melhorada.

O aipo pode ser consumido sem receio pelo diabéticos, especialmente sob a forma de sumo. Devido ao seu baixo teor em calorias, o aipo ajuda à perda de peso.São também de salientar as suas qualidades diuréticas, já reconhecidas pela maior parte dos autores antigos e confirmadas posteriormente.

O uso de aipo pode ser benéfico no tratamento de psoríases, de vitiligo e outras afecções cutâneas, devido à hiperpigmentação que provoca.

Utilizações comuns: O aipo é um vegetal maravilhoso, que nunca devia faltar na nossa cozinha. No aipo, tudo se consome, quer em cru ou cozinhado: folhas, caule, raíz. Se for comido em cru, deve mastigar-se bastante bem, caso contrário é indigesto. Se o cozinhar, adicione-o às sopas (folhas e bolbo), aos guisados (sobretudo as folhas), omoletas, arroz... Dá-lhes um maravilhoso aroma. Enfim, pode ser utilizado mais ou menos em todos os cozinhados; há até quem aromatize licores e chás com aipo.

Fresco ou seco, o aipo serve não só para aromatizar mas também para embelezar certos pratos, além de estimular o apetite e ajudar nos processos digestivos. O aipo deve fazer parte de uma alimentação variada.

Costuma-se secar o aipo-rábano e depois ralá-lo para, assim, se obter o chamado sal de aipo, muito apreciado no tempero de sumos de tomate e indicado nas dietas isentas do tradicional sal marinho.

Quando comprar aipo, verifique se as folhas estão bem verdinhas; folhas e talos amarelados, moles e com flores são sinal de que já está murcho. E sinta também o peso, pois, especialmente um aipo-rábano fresco é bem pesado em relação ao tamanho. Pode conservar o aipo (embrulhado) no frigorífico durante uns 3-4 dias, mas não se esqueça de que os legumes e ervas perdem os nutrientes facilmente. Em contrapartida, enquanto a maior parte dos alimentos perdem nutrientes durante a cozedura, isso não acontece com o aipo, cujos nutrientes resistem bem à cozedura.

Infusão
1 colher (sopa) de raízes ou folhas verdes por litro de água

Tomar 1 chávena 3 vezes ao dia.

Infusão ou decocção (disenteria, colites e anemias)
30 g de folhas para 1 litro de água
Tomar 1 chávena 3 vezes ao dia.

Infusão ou decocção (laringite e bronquite)
25 g de raiz ou sementes para 1 litro de água
Tomar 1 chávena 3 vezes ao dia. Em caso de bronquite asmática, adoçar com mel e tomar diariamente pela manhã, em jejum.

Suco de folhas de aipo (nefrite, hepatite, afecções febris)
Tomar 1 chávena ao dia, dividida em 3 a 4 vezes.

Pó das raízes secas e moídas (cicatrização de úlceras)
Polvilhar 2 vezes ao dia sobre úlceras difíceis de cicatrizar.

Cataplasma de folha de aipo (ferimentos e contusões)
Aplicar 2 vezes ao dia sobre a região afectada.

CONTRA-INDICAÇÕES/CUIDADOS: apesar do aipo ser uma planta utilizada como legume e erva aromática, além de planta da saúde, é bom vigiar qualquer efeito colateral, especialmente se o aipo já não for muito fresco, pois há pessoas alérgicas ao aipo que podem desenvolver urticária, dificuldades respiratórias, choque anafilático ou outras reacções. Isto deve-se ao facto de que o aipo é uma planta tão suculenta que, para se proteger contra os fungos (micro-organismos), produz o seu próprio “pesticida”, uma substância chamada “psoraleno”; embora este composto químico natural proteja o aipo, pode não ser bem tolerado por algumas pessoas.

© Dulce Rodrigues

 

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