A Gastronomia faz parte da nossa cultura
A gastronomia nasceu certamente no momento em que os nossos antepassados
descobriram o fogo e puderam assar o primeiro pedaço de carne. Da carne assada sobre os
carvões passou-se à carne grelhada metida em toscos espetos que se colocavam sobre o fogo.
Foram os primeiros passos na arte culinária.
Com as grandes civilizações, como a egípcia, passaram a comer-se grelhados,
estufados e assados, frutas e guloseimas diversas. Requintados como eram, os Egípcios sabiam já
como preparar os alimentos para lhes dar maior palador, e apresentavam-nos em pratos artisticamente decorados.
Com os Gregos a culinária não avançou muito, pois eles cultivavam mais a literatura, a poesia
e a música, e os banquetes eram sobretudo motivo de reunião e entretenimento do espírito e não
prazer gastronómico. Com o andar dos tempos, contudo, os costumes mudaram-se e essa mudança coincidiu com o
período de decadência e conquista da Grécia pelos Romanos. Frugais no princípio, os Romanos em
breve se deixaram conquistar pelos prazeres da mesa, com as consequências desastrosas que todos nós conhecemos
da História. Seguiu-se a conquista de Roma pelos Bárbaros e, um vez mais, a gastronomia foi atraiçoada,
pois perdeu-se completamente o prazer de bem comer em benefício de comer bem.
Durante a Idade Média, começam a aparecer as cozinhas tradicionais que reflectem as diversas
características étnicas e regionais. Mas os repetidos períodos de fome que assolaram as populações
não permitiram um grande avanço da arte culinária, e seria necessário chegar-se ao Renascimento para
que, tal como as outras artes, a gastronomia atingisse um elevado grau, que tem conservado até aos nossos dias.
A gastronomia, tal como outras formas de arte, é um património cultural que cada povo deve preservar,
sob pena de perder uma parte da sua identidade.