EM VEZ DE BALAS, CRAVOS VERMELHOS

Artigo publicado no Boletim da OTAN de Maio de 1999 (original em inglês)

 

A 25 de Abril último, um dos países da OTAN - Portugal - celebrou o 25° aniversário da queda do regime totalitário que, durante cerca de 50 anos, tinha estado no poder e governado o país. Tenho orgulho em que o tenhamos feito com a reserva e a discrição que nos caracterisam.

Contudo, esta revolução - que derrubou uma das ditaduras mais longas da história da Europa ocidental - distinguiu-se por um elemento muito especial: decorreu sem que fosse derramada uma única gota de sangue, pois, em vez de vomitarem fogo, as armas permaneceram silenciosas. E os cravos vermelhos, que as floristas lançaram aos soldados, tornaram-se um símbolo nacional de liberdade e fraternidade.

Neste mundo de violência em que hoje vivemos - em que uma briga entre vizinhos, um problema de circulação, um conflito conjugal podem levar à violência - tal facto torna-se "algo nunca visto", e permito-me acreditar que este acontecimento único na história da Humanidade merece que o conservemos na nossa memória.

Gostaria de que outros países pudessem, também eles, encontrar solução aos conflitos que os devastam, às guerras fratricidas que não poupam ninguém, nem mesmo as crianças, grandes vítimas inocentes da ambição desmedida dos homens!

©  Dulce Rodrigues

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