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EXPO'98 - Os Oceanos, Património do Futuro

Artigo publicado no Boletim da OTAN de Junho de 1998 (original em inglês)

 

Regresso ao passado nos passos do futuro

Este importante acontecimento abriu as suas portas ao público no dia 22 de Maio de 1998 em Lisboa, onde pode ser visitado até 30 de Setembro. Esta será a última exposição internacional a decorrer neste século e milénio, e foram especialmente construídas em Lisboa instalações destinadas a receber esta grandiosa exposição; nos seus pavilhões, o visitante poderá colher informações sobre os oceanos e a vida marítima, e na zona internacional estarão representados cerca de 100 países. Será uma viagem através dos anais dos tempo até uma época em que o mundo era ainda um mistério a ser desvendado pela curiosidade e intrepidez do povo português.

Portugal celebrará com este acontecimento capital o 5° centenário da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia por Vasco da Gama. Momento crucial na história do Velho Continente, esta estraordinária aventura contribuiu - assim como a descoberta da América por Cristóvão Cllombo - para o advento de uma nova mentalidade universal e das suas várias formas de expressão artística: o Renascimento.

Embora a tradição marítima do povo português se perca na memória do tempo, a herança que legou à cultura mundial chegou até aos nossos dias. O verdadeiro desafio começou em 1433 quando Gil Eanes dobrou o Cabo Bojador e, a partir daí, a aventura foi cada vez mais longe, tendo Bartolomeu Dias chegado ao Cabo da Boa Esperança em 1487, o que permitiu o acesso a um novo espaço marítimo e tornou possível o contacto com o mundo lendário das civilizações orientais. A aventura marítima dos Portugueses culminou em 1498 com a chegada da fronta de Vasco da Gama à Índia. Dois anos mais tarde, um outro navegador português, Pedro Álvares Cabral, descobriu o Brasil. Outros navios portugueses continuaram a sua rota para leste e chegaram a Malaca e à China; não foi senão no século XVI que os Portugueses aportaram ao Japão, onde foram os primeiros europeus a entrar em contacto com a cultura japonesa.

Naqueles tempos, estas viagens eram não só perigosas como também extremamente árduas para a tripulação: uma viagem de ida e volta à Índia por mar levava cerca de um ano, o oceano era uma gigantesca massa de água da qual o homem ainda não conseguira desvendar as armadilhas e os segredos. Vasco da Gama tinha partido de Lisboa a 8 de Julho de 1487 e chegou a Calecute, uma das cidades mercantis mais importantes da Índia, a 20 de Maio de 1498. Iniciou a sua viagem de regresso em Agosto e, em Março de 199, chegava de novo a Lisboa. No regresso perdeu um barco e metade da tripulação não sobreviveu às péssimas condições da viagem.

Uma aventura fantástica para o explorador da époda, cujas repercussões contribuiram significativamente para a combinação prática dos conhecimentos científicos e técnicos que levaram à construção de novos instrumentos e novas armas e ao desenvolvimento de novos métodos científicos de observação astronómica. Estas viagens forneceram um meio de circulação aos conhecimentos e técnicas de navegação, algumas das quais já eram utilizadas pelos Portugueses muito antes da expansão marítima.

Portugal abriu o caminho a toda uma variedade de objectivos humanos, tais como o desenvolvimento de outras terras e de novos mercados, uma compreensão mais aprofundada dos diferentes povos e culturas, e o despertar da curiosidade pela diversidade botânica e zoológica de um mundo até ntão desconhecido dos Europeus. Sob o ponto de vista do conhecimento geográfico, este acontecimento confirmou a comunicação directa entre os oceanos Atlântico e Índico - o que pôs um ponto final na antiga controvérsia de que o oceano Índico era um mar interior.

Lisboa tornou-se uma das cidades mais cosmopolitas da Europa e a ela afluiam as novidades vindas do novo mundo, atraindo as pessoas e oferecendo-lhes oportunidades de trocas comerciais e culturais. As caravelas portuguesas atravessavam os mares em todas as direcções, adquirindo experiência e informção através da observação directa e divulgando, em troca, a maneira de pensar europeia e, acima de tudo, uma outra religião: a fé cristã, que foi invocada como a força motriz espiritual e a finalidade principal das expedições marítimas.

Naqueles países longíncuos, da Ásia à África e à América, os Portugueses deixaram a sua língua e a sua cultura, trazendo em troca para a Europa novas ideias e materiais, pedras preciosas e especiarias. O enorme impacto cultural da contribuição portuguesa para o mundo pode bem ser resumida nestas palavras de Camões, o grande poeta português do Renascimento: "... para dar novos mundos ao mundo".

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