A Leitura, um prazer partilhado
Tudo se passa na nossa primeira infância. É por isso que esta fase da nossa vida tem um papel tão importante no desenvolvimento das nossas capacidades, sejam elas intelectuais ou manuais.
Evidentemente que há outros factores que podem influenciar a direcção que, mais tarde, tomaremos na vida, mas as emoções da nossa infância, embora que “enterradas” no fundo do nosso subconsciente, acabarão sempre por vir à superfície assim que a oportunidade se nos deparar.
Quantas pessoas, que não sabiam ler nem escrever, fizeram a sua alfabetização já velhotas, quando lhes surgiu a oportunidade de irem à escola. Quantas, depois de reformadas, procuram ocupar o seu tempo em actividades que sempre lhes interessaram, mas que não lhes foi possível seguir,
como pintar, aprender música, escrever... Quantos de nós, a partir de uma certa idade, recordamos com emoção e, por vezes com tristeza, momentos da nossa vida de criança em que gostaríamos de ter feito algo mas não conseguimos.
O gosto pela leitura e pela escrita, como todas as outras capacidades humanas, desponta bastante cedo, muito antes da escola. Se os adultos quebrarem, ou não permitirem, sequer, que se desenvolva a magia dessa descoberta, estão a ameaçar o futuro dos seus filhos.
A aprendizagem de qualquer indivíduo passa pela leitura mais do que pela escrita – esta última poderá ser uma extensão complementar da leitura, em caso algum uma componente obrigatória.
Ao ajudarmos os nossos fihos na aquisição do domínio da leitura, descobriremos nós próprios um mundo maravilhoso até aí ignorado. Descobriremos, sobretudo, que temos de saber cada vez mais sobre a vida e as suas implicações, as suas contingências e as suas necessidades.
Quanto mais sabemos, mais queremos saber; e quanto mais sabemos, mais nos apercebemos de que o nosso saber é uma gota de água num vasto oceano...
© Dulce Rodrigues