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ESTADO DA EDUCAÇÃO: A culpa é de todos nós. Explico porquê... |
Artigo escrito na Bélgica em 24 de Maio de 2002
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As pessoas em geral, e os Portugueses em particular gostam muito de falar só por falar, e de ser do contra só por ser do contra. Lembro-me de alguém que me dizia um dia: "venha o Governo que vier, eu sou do contra". Se reflectirmos um pouco, possivelmente veremos que temos a educação que merecemos. Porque estamos sempre à espera que seja o Governo (qualquer que ele seja) a fazer tudo por nós. Ora a educação é algo que também está ao nosso alcance individual. Por outro lado, quantas pessoas oferecem voluntariamente o seu contributo e nem sequer recebem uma resposta - de aceitação ou, até, de negação por parte daqueles com quem tão simplesmente pretendem colaborar. A minha experiência nesse campo é o que pretendo aqui transmitir, e cada um tirará as suas conclusões. Há cerca de 17 anos, fui viver para o centro da Europa (Luxemburgo e Bélgica). Sempre gostei de escrever e, quando a partir de 1995 tive um pouco mais de disponibilidade de tempo, comecei a escrever artigos - sobretudo de carácter histórico - para o Boletim da OTAN, organização para a qual trabalhava. Entretanto, por razões de saúde fui reformada por invalidez e resolvi, então, escrever um primeiro livro para crianças. Toda a minha vida adorei crianças e achei que o meu futuro estaria estreitamente ligado a elas. Saíu assim em Dezembro de 1999 L'Aventure de Barry, um primeiro livro para crianças em francês e, nesse âmbito, com a colaboração do conselheiro pedagógico da cidade belga onde vivo, fui a umas três ou quatro escolas ler estórias do meu livro, falar com as crianças. Numa das escolas foi desenvolvido um trabalho pedagógico sobre o livro com fichas que eu própria preparara. Em Dezembro de 2001, as mesmas estórias foram publicadas em Portugal em formato cd-rom, com o título A Aventura do Barry - sendo a minha língua materna o Português, era meu desejo que o livro também fosse editado no meu país. Esse CD-ROM foi apresentado no Instituto Camões, no Luxemburgo, a 7 de Fevereiro deste ano. Algum tempo antes da apresentação, decidi contactar não só algumas associações de pais de alunos portugueses no Luxemburgo, mas igualmente o Núcleo de Português nesse mesmo país. Se é um facto que a educação em Portugal é catastrófica - e estou muito contente por os meus filhos terem tido a oportunidade de estudar a partir dos 13 anos num país que oferece outras condições - nem se imagina em Portugal qual o nível cultural da maior parte dos emigrantes portugueses no Luxemburgo e não só. Quando se recebeu bastante da Vida, devemos partilhar essa "riqueza" com aqueles que infelizmente não tiveram acesso à mesma - esta é a minha opinião, e foi por isso que contactei essas associações de pais e o leitorado português, oferecendo voluntariamente a minha colaboração para ir às aulas de português falar com os miúdos e sensibilizá-los para a leitura, um dos maiores meios de conhecimento. Devo dizer que das associações de pais nunca tive o prazer de uma resposta. E quanto às três cartas que escrevi à coordenadora no Luxemburgo, igualmente ficaram sem resposta. No dia da apresentação no Instituto Camões encontrei a dita senhora. Como muitos dos cerca de 70 miúdos que lá estiveram com os professoros pareciam motivados, enviei-lhe alguns dias depois as mesmas fichas pedagógicas (a tradução portuguesa, claro) que tinha preparado para as escolas belgas, assim como outro material didáctico que faz parte do CD-ROM em português, e solicitei que fizesse cópias e distribuisse pelas várias escolas. E disponibilizei-me uma vez mais a colaborar. Continuo ainda hoje à espera de uma resposta!! Claro que não vou ficar frustrada por isso, e muito menos parar. E tenho tido por parte de outros países, como recentemente a Alemanha e a França, o reconhecimento pelo meu esforço. Mas obviamente é triste contemplar o panorama educativo-cultural no meu próprio país. Devemos culpar só o Governo pela educação que temos? Parece-me que não. Aliás, da educação também faz parte a cortesia de uma resposta a quem nos contacta e, sobre este ponto, muito teria de contar sobre a "educação" dos Portugueses em Portugal e no estrangeiro. A culpa da educação que temos é dos responsáveis, sim, mas também de alguns pais das crianças - que não estão para investir um pouco do seu "precioso" tempo a educar os filhos que são seus; a culpa é também de alguns professores, pois muitos limitam-se a "estar na aula" e a ir buscar o salário ao fim do mês; a culpa é afinal da grande maioria e, curiosamente, são sempre os que mais falam e protestam, que menos fazem. Quando recordo alguns artigos nos jornais portugueses do Luxemburgo... Realmente, as pessoas deviam reflectir, antes de reclamar o que quer que seja. |
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