Um dia, três crianças perderam-se na floresta vizinha à cidade de Mira, onde São Nicolau tinha a sua diocese.
Andaram durante todo o dia e estavam muito cansadas quando, ao cair da noite, avistaram luzes ao longe.
Dirigiram-se rapidamente nessa direcção e verificaram que as luzes vinham de uma casa.
Bateram à porta e apareceu-lhes um homem. Era um carniceiro e tinha um ar de tal modo terrível,
que as pobres crianças tiveram medo. Mas como também tinham muita fome e estavam exaustas,
ultrapassaram o medo e entraram na casa.
O homem deu-lhes de comer e de beber e convidou-as a ali dormirem. Assim que as crianças adormeceram,
o carniceiro matou-as e meteu-as no salgadeira, como fazia à carne em salmoira.
Passaram-se sete anos e um dia São Nicolau, que tinha ali vindo à floresta, foi bater à porta da casa do carniceiro.
Este reconheceu logo o bispo de Mira e convidou-o a entrar; depois, ofereceu-lhe carne de carneiro.
Mas São Nicolau recusou e disse-lhe que preferia da carne que estava na salgadeira há já sete anos.
O carniceiro percebeu logo que São Nicolau estava ao corrente do crime que ele tinha cometido e fugiu.
São Nicolau aproximou-se então da salgadeira onde estavam as crianças e colocou as mãos por cima.
E produziu-se um milagre: as três crianças ressuscitaram e saíram sãs e salvas da salgadeira.
A boa nova espalhou-se por todo o lado e, a partir daí, as pessoas passaram a venerar ainda mais São Nicolau por este milagre.