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Dulce Rodrigues, escritora

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EDUCAÇÃO E LEITURA

Um livro é uma viagem a um mundo de imaginação e de criatividade,
e aqueles que não lêem permanecerão para sempre no mesmo lugar.

© Dulce Rodrigues


A LEITURA, UM PRAZER PARTILHADO

Tudo se passa na nossa primeira infância. É por isso que esta fase da nossa vida tem um papel tão importante no desenvolvimento das nossas capacidades, sejam elas intelectuais ou manuais.

Evidentemente que há outros factores que podem influenciar a direcção que mais tarde tomaremos na vida, mas as emoções da nossa infância, embora “enterradas” no fundo do nosso subconsciente, acabarão sempre por vir à superfície assim que a oportunidade se nos deparar. Quantas pessoas, que não sabiam ler nem escrever, fizeram a sua alfabetização já velhotas, quando lhes surgiu a oportunidade de irem à escola. Quantas, depois de reformadas, procuram ocupar o seu tempo em actividades que sempre lhes interessaram, mas que não lhes foi possível seguir, como pintar, aprender música, escrever... Quantos de nós, a partir de uma certa idade, recordamos com emoção e, por vezes com tristeza, momentos da nossa vida de criança em que gostaríamos de ter feito algo mas não conseguimos.

O gosto pela leitura e pela escrita, como todas as outras capacidades humanas, desponta bastante cedo, muito antes da escola. Se os adultos quebrarem, ou não permitirem, sequer, que se desenvolva a magia dessa descoberta, estão a ameaçar o futuro dos seus filhos. A aprendizagem de qualquer indivíduo passa pela leitura mais do que pela escrita – esta última poderá ser uma extensão complementar da leitura, em caso algum uma componente obrigatória.

Ao ajudarmos os nossos fihos na aquisição do domínio da leitura, descobriremos nós próprios um mundo maravilhoso até aí ignorado. Descobriremos, sobretudo, que temos de saber cada vez mais sobre a vida e as suas implicações, as suas contingências e as suas necessidades.

Quanto mais sabemos, mais queremos saber; e quanto mais sabemos, mais nos apercebemos de que o nosso saber é uma gota de água num vasto oceano. Só uma "doce ignorância" poderá levar a acreditar que se sabe muito e que nada mais se tem a aprender. Costuma até usar-se uma explicação matemática para demonstrar por que razão os que sabem pouco julgam que sabem muito, e aqueles que sabem muito têm a humildade de considerar que "nada sabem". Não é por acaso que ignorância rima com arrogância...

[ Boas resoluções para o início do ano ]

[ Livros - inquérito feito em 2013 nos Estados Unidos ]


BOAS RESOLUÇÕES PARA O INÍCIO DO ANO

O início de um novo ano traz-nos sempre uma lista de várias boas resoluções. Mas, quantas ficam pelo caminho à medida que o tempo passa... Um novo ano é uma viagem que começa e, durante essa viagem, quantas novas experiências! Convido-vos a viajar comigo e a escrevermos juntos as páginas deste ano de 2014, através do mundo maravilhoso dos livros e da magia das palavras.

Como sabem, adoro crianças e jovens e estou sobretudo preocupada com o seu acesso à leitura e à educação em geral. Foi a pensar muito especialmente neles que criei o espaço lúdico-didáctico BARRY4KIDS, com estórias e temas escolares, jogos e outras actividades didácticas ou teatrais, onde eles aprenderão, divertindo-se. Todos os temas e actividades foram inspirados das estórias do meu primeiro livro em francês e do CD-Rom em português A AVENTURA DO BARRY cuja versão em inglês recebeu Menção Honrosa no 2013 London Book Festival.

O BARRY4KIDS é sobretudo virado para as crianças, mas visite-o também, aconselhe-o aos seus filhos ou netos e passe a informação a outros pais ou avós e aos professores. O "passa palavra" é a melhor forma de divulgação. Inspirados pelas minhas estórias, alguns alunos em França revelaram um grande talento para a poesia. Convido-o(a) a ler esses maravilhosos poemas e a incentivar jovens portugueses a fazer o mesmo. Os poemas serão depois publicados no Barry.

O CD-Rom A Aventura do Barry -se esgotado, mas prevejo uma edição em livro. Entretanto, sugiro ERA UMA VEZ… UMA CASA, um conto premiado em França em 2004 e em versão inglesa também recentemente no 2013 Hollywood Book Festival. Este conto é sobre uma casa, perdida no meio da natureza e esquecida de todo o mundo, que vê finalmente diferentes visitantes aí se instalarem, pouco a pouco, ao ritmo das estações, e aí criarem uma bela equipa, vivendo numa tranquila harmonia. Mas, um dia, essa tranquilidade é perturbada pela chegada do Homem e do seu fiel companheiro, o Cão. Que lição ensinará ao Homem a ser menos egoísta e a respeitar melhor a Natureza? Uma amarga lição!

ERA UMA VEZ… UMA CASA existe somente em livro em papel, publicado pelo Sítio do Livro e Também o pode encomendar na Livraria Leya na Barata, avenida de Roma 11, em Lisboa. Para telecarregamento gratuito por pais e professores, encontra-se disponível um caderno de actividades sobre este conto.

Através dos meus contos e peças de teatro, tento transmitir o grande afecto que sinto pelas crianças, inspirando-lhes valores como o respeito e o amor pelos animais, seres vivos que partilham connosco esta Terra, onde todos devemos viver em Paz e Harmonia com a Natureza.

[ Livros - inquérito feito em 2013 nos Estados Unidos ]

[ Encontro de escritores portugueses e brasileiros em Lisboa ]


LIVROS - INQUÉRITO FEITO EM 2013 NOS ESTADOS UNIDOS

Todos sabemos que o mundo da edição mudou, tanto para autores como para editores. Vendem-se actualmente mais livros electrónicos do que em papel (77% para 52%). Mas estes últimos não vão desaparecer, pelo menos em algumas categorias, como os livros de Arte, de Património Natural ou Arquitectónico, ou de Fotografia. Os romances, novelas e outros géneros mais populares como mistério e ficção científica, porém, deixarão de ser publicados em papel dentro de médio ou mesmo curto prazo.

No que diz respeito aos livros para crianças, as tendências ainda não se encontram bem definidas. Pessoalmente, vendo mais livros electrónicos do que em papel, por isso, contrariamente ao que gostaria de fazer, tenho vindo a optar por este tipo de edição.

Apercebi-me também de que os dois tipos de leitores são diferentes: os leitores de livros de papel continuam a ser controlados pelos meios de comunicação e as grandes editoras, comprando livros de autores cujos rostos aparecem constantemente nos jornais, revistas ou na televisão – numa palavra, os que têm o monopólio das prateleiras nas livrarias e cujos nomes são constantemente mencionados. Numa entrevista na sequência do prémio que recebeu recentemente, Mia Couto disse algo que é uma confirmação desta realidade. Ele referiu que a maioria das pessoas que lhe tinham comprado livros nem sequer sabiam ler.

Aqueles leitores que preferem o suporte digital como veículo de leitura são mais livres e não se deixam influenciar do mesmo modo. Segundo o inquérito em questão, a 64% desses leitores não interessa saber que editora publicou o livro, é assunto a que não ligam. 33% disse que dava alguma inportância a isso, e 4% disse que o nome da editora era o que definia a escolha.

Relativamente a críticas literárias sobre os livros, ainda dentro da publicação digital, 53% dos leitores deixa-se um pouco influenciar pelas mesmas, 29% não lhes dá qualquer valor (possivelmente porque sabe que as grandes casas de edição pagam normalmente para as obter), e 18% são bastante influenciados.

Questionados sobre como escolhiam um livro, 35% dos leitores inquiridos conheceram novos autores por meio dos livros gratuitos e, se gostaram do que leram, 85% estaria disposto a depois comprar livros desse autor.

Um dos pontos que mais admirou quem analisou os resultados do inquérito foi o facto de que 60% dos leitores diz não seguir os seus autores preferidos no Twitter, enquanto 87% diz seguir os seus autores preferidos no Facebook.

Houve muitos outros pontos tratados, mas estes parecem-me os que mais importância podem ter para os autores “desconhecidos” do grande público, isto é, aqueles que não fazem parte dos nomes e rostos (sempre os mesmos) veículados pelos meios de comunicação.

[ Encontro de escritores portugueses e brasileiros em Lisboa ]

[ Promoção de livros pelo início do Advento ]


1° ENCONTRO DE ESCRITORES PORTUGUESES E BRASILEIROS EM LISBOA

Ontem, dia 4 de Janeiro de 2014, realizou-se o Primeiro Encontro de Escritores Portugueses e Brasileiros em Lisboa. Felicito as organizadoras, Jô Ramos e Teresa Queiroz, pelo evento, que certamente deixou a todos várias pistas para reflexão e, sobretudo, para acção, embora nos tivéssemos afastado um pouco dos tópicos do doc que a Teresa tinha trazido para debate. Mas podemos reflectir sobre os mesmos posteriormente, através de artigos.

Gostaria de também ter tido a oportunidade de intervenção – especialmente no que respeita à literatura infanto-juvenil e à sensibilização dos leitores juvenis para a leitura. Como autora de livros para essa faixa etária com alguma experiência a nível europeu e mesmo extra-europeu, poderia trazer luz diferente à realidade portuguesa. Mas, sou mais de “escrita” do que de “oral”, pelo que poderei igualmente ir dando um contributo escrito.

Proponho-me, todavia, começar primeiramente, num próximo artigo, pela exposição dos dados (mais) relevantes de um inquérito feito em 2013 nos Estados Unidos. Saúdo todos os participantes presentes e os ausentes que queiram acompanhar a evolução deste 1° Encontro de Ecritores.

[ Promoção de livros pelo início do Advento ]

[ A magia das palavras ]


PROMOÇÃO DE LIVROS PELO INÍCIO DO ADVENTO

PILOTO E LASSIE, uma outra estória de Romeu e Julieta, assim como três livros em línguas estrangeiras, estarão em promoção na amazon.co.uk e na amazon.com, a partir do dia 2 de Dezembro às 08:00 horas PST (Pacific Standard Time = menos 8 horas em relação ao GMT, hora de Londres e Lisboa). Esta promoção decorrerá até ao dia 9 de Dezembro às 08.00 horas PST. O preço inicial é de 0,99 USD e aumentará todas as 36 horas, até atingir de novo o preço normal de cada livro. Não percam esta promoção.

livro infanto-juvenil em francês Le Ciel est en Fête

livro infanto-juvenil em anglês Barry's Adventure

livro infanto-juvenil em alemão Piloto und Lassie, Romeo und Julia einmal tierisch anders

livro infanto-juvenil em português Piloto e Lassie, uma outra estória de Romeu e Julieta


Está prevista também uma promoção semelhante para os meus livros de Natal, a partir do dia 20 de Dezembro às 08.00 horas PST. Tomem nota da data para não se esquecerem da promoção.

Quem não tiver leitor de livros digitais não tem qualquer problema, pode telecarregar a aplicação que a Amazon disponibiliza gratuitamente para PC, iPod, iPad, smartphones, etc. Assim, poderão ler no futuro todos os i-livros que quiserem.

Desejo a todos(as) agradáveis momentos de leitura enquanto esperam pelas prendas que o Pai Natal vos trará.

[ A magia das palavras ]

[ A caminho da escola ]


A MAGIA DAS PALAVRAS

As palavras permitem-nos comunicar com os outros, compreendê-los e fazermo-nos compreender. Mas o seu poder mágico vai muito além da simples troca de palavras. Através das palavras, expressamos os nossos sentimentos e as nossas emoções, viajamos para além da imaginação, dando assim asas à nossa criatividade.

Não prive nunca os seus filhos do prazer das palavras, ofereça-lhes livros, conte-lhes estórias, e tudo isso desde a sua verde infância. Há livros para todos os gostos e para todas as idades.

Os livros contribuem para que as crianças adquiram conhecimentos sobre assuntos variados, sobre outros povos e outras culturas. Numa palavra, os livros são fonte de enriquecimento cultural e de abertura de horizontes, que despertarão nas crianças vocações ou aptidões que de outro modo ficariam adormecidas e ignoradas para sempre.

Através dos livros, as crianças entram em contacto com novos mundos e novas culturas, que até àquele momento lhes eram desconhecidos. Os livros são como pontes, aproximando as pessoas umas das outras, apesar das fronteiras geográficas, religiosas, económicas ou de outra natureza.

Para começar a despertar a curiosidade dos seus filhos, convide-os a visitar o meu portal para crianças www.barry4kids.net e a tomar aí conhecimento com o cão BARRY, a Bobbyuka, o Benfica e outros heróis de quatro patas de que falam os meus livros. Ajude-os a representar uma personagem de qualquer uma das minhas peças de teatro. As crianças adoram os animais!

Deixe-os maravilharem-se com as lendas e os contos tradicionais e ajude-os a serem creativos, incentivando-os a ler os maravilhosos poemas escritos por outras crianças e, se se aperceber de que os seus filhos também têm veia poética, faça-me chegar os seus poemas, cujos temas deverão estar relacionados com o Barry4kids: animais e/ou personagens dos meus livros infanto-juvenis.

Há contos que os seus filhos podem ler sozinhos ; e há estórias que lhes pode ler ou contar com as suas próprias palavras. Esses momentos agradáveis serão recordações que os acompanharão ao longo da vida. Faça descobrir aos seus filhos o mundo maravilhoso das palavras!

[ A caminho da escola ]

[ Uma criança, um livro ]


A CAMINHO DA ESCOLA

Em alguns países, sobretudo da África e da Ásia, as crianças não têm uma vida fácil se querem aprender: percorrem quilómetros no caminho para a escola, chegando mesmo a ter de afrontar diversos perigos. Mas não são somente as crianças que têm de percorrer quilómetros para ir à escola, por vezes, também os professores.

Quando da minha viagem à Etiópia, visitámos uma aldeia perto de Lalibela e, como era um sábado, demos boleia ao professor no regresso. Ele contou-me então que, quando está tempo seco, leva quatro horas a pé, todas as segundas-feiras, desde a paragem da camioneta até à aldeia, tudo isto por meio do mato. Se está de chuva, leva cerca de seis horas. Quando do regresso, ao sábado, é a mesma coisa. Durante a semana, claro que permanece na aldeia.

Na Etiópia, como aliás em muitos países da África, as raparigas são mais sacrificadas do que os rapazes, pois são elas que fazem algumas tarefas – como ir buscar água, muitas vezes também a quilómetros de distância – antes de poderem ir para a escola, o que faz com que só frequentem as aulas parcialmente.

Mas seja rapaz ou rapariga, as crianças etíopes têm sempre o sorriso nos lábios e os olhos brilhantes de alegria; contentam-se com pouca coisa e são felizes apesar do que nós, ocidentais, geralmente chamamos “adversidades da vida”. Parece paradoxo? Talvez não seja. LER o artigo ilustrado com fotos de crianças da Etiópia

[ Uma criança, um livro ]

[ Partilhar os conhecimentos literários na escola ]


UMA CRIANÇA, UM LIVRO

Nelson Mandela sempre desejou que todas as crianças tivessem acesso ao mundo maravilhoso dos livros.

Como autora – sobretudo de livros infanto-juvenis – sinto igualmente a necessidade de fazer partilhar às crianças a magia das palavras.

Os livros transmitem às crianças conhecimentos sobre assuntos variados, sobre outros povos e culturas. Os livros contribuem (dependendo do seu conteúdo, claro) para o enriquecimento cultural das crianças, permitindo-lhes descobrir e despertar capacidades e vocações que, de outro modo, poderiam ficar ignoradas e adormecidas para sempre.

Numa palavra, um livro é uma ponte que aproxima as pessoas, ultrapassando fronteiras, sejam essas fronteiras geográficas, de raíz religiosa, económica, ou outras. LER o artigo ilustrado com fotos de crianças do mundo

[ Partilhar os conhecimentos literários na escola ]

[ Ler sem fronteiras ]


PARTILHAR OS CONHECIMENTOS LITERÁRIOS NA ESCOLA

A jornada "Partilhar os conhecimentos literários na escola", em Longwy, França, realizou-se no dia 23 de Maio de 2002, por iniciativa e a convite da Inspecção da Educação Nacional. Tratava-se de um encontro entre autores de livros para crianças e alunos das escolas onde tinha sido distribuído e lido o seu livro. Os conselheiros pedagógicos do Departamento tinham feito, alguns meses antes, a escolha dos livros, escolha essa que incluía também livros de autores belgas (razão por que estive presente nessa manifestação, através do distribuidor na Bélgica do meu livro em francês L'Aventure de Barry). Esses livros foram depois distribuídos pelas várias escolas e trabalhados durante as aulas pelos alunos e os professores.

Todos os autores foram convidados pelo Conselho pedagógico de Longwy 1 a começar o dia com um pequeno-almoço de confraternização, após o qual cada autor se dirigiu à(s) escola(s) onde tinha sido lido e trabalhado o seu livro. Pessoalmente, tinha quatro escolas para visitar: duas de manhã e duas à tarde.

Os miúdos estavam super contentes em me conhecer - normalmente os autores de que ouvem falar já morreram, portanto, conhecerem um autor que está "vivo" e com quem podem conversar é um acontecimento extraordinário.

Na primeira escola, o caminho desde a entrada até ao local de encontro estava identificado com letreiros (feitos pelos alunos) indicando os vários países por onde passara o Barry na sua viagem desde Portugal até à Bélgica. As perguntas incidiram sobre a vida do autor (neste caso a minha) e o respectivo livro, e foram feitas através de rifas numeradas - umas de cor rosa e outras azuis. Cada aluno tinha um número azul e um rosa. À medida que eu ia tirando uma rifa com um determinado número e cor, o aluno respectivo fazia a sua pergunta.

Numa outra escola, as crianças ofereceram-me desenhos e recitaram poemas que tinham composto inspirados pelas estórias do livro. Fiquei admirada com a quantidade e, sobretudo, com a qualidade dos poemas, especialmente se tomarmos em consideração a idade das crianças em questão. E ainda maior foi o meu espanto e a minha satisfação quando soube pela professora que a inspiração poética lhes viera ao lerem o meu livro e que nunca tinham feito poemas antes. Este facto deixou-me bastante emocionada, como é compreensível.

Noutra escola, pediram-me que lesse algumas frases das estórias em português, o que é uma atitude extraordinariamente positiva e revela curiosidade e interesse por outras culturas, devido certamente ao facto de eu ser estrangeira e essa ser a minha língua. Na sua generalidade, o acolhimento e participação dos alunos foi semelhante em todas as escolas, sem esquecer a oferta de flores e também de pequenos objectos feitos pelos alunos. E o pedido de autógrafo nos cadernos e numa folha de papel especialmente trazida para o efeito, claro! O enriquecimento pessoal que tirei, mais uma vez, do meu trabalho com crianças não tem "preço", é um valor humano que ultrapassa qualquer escala "materialista".

No fim da tarde, realizou-se numa sala do Centro Cultural de Longwy uma sessão de dedicatória por parte dos autores,

Devemos concordar que iniciativas como esta são muito interessantes e acessíveis às escolas. Elas permitem também àqueles autores - que não editam através das grandes casas de edição - dar a conhecer os seus livros ao público a que os mesmos se destinam essencialmente. Na sociedade de consumo em que vivemos presentemente, as pessoas são levadas a comprar sobretudo os livros sobre os quais é feita grande publicidade. Muitos desses livros não são os mais ricos em conteúdos adaptados à idade da criança, não suscitando o interesse da criança e não a preparando, portanto, para a leitura e a compreensão do que lê. Em contrapartida, se a escola pretende fazer com os alunos um trabalho sobre um livro, esse livro deve, em princípio, obedecer a critérios bem específicos, que pressupõem uma estória suficientemente elaborada para permitir esse trabalho.

Possivelmente o livro escolhido pelos professores não terá uma apresentação tão bonita quanto outros (nem sequer precisa de ter imagens), mas a finalidade da leitura não é ter um belo livro para pôr na prateleira. Bem pelo contrário, o livro deve transmitir ao leitor conhecimentos sobre assuntos variados, sobre outras gentes e outras culturas. Numa palavra, o livro deve contribuir para o enriquecimento cultural do leitor e incentivá-lo cada vez mais à leitura, que permitirá muitas vezes descobrir e despertar nele capacidades e vocações que, de outro modo, poderiam ficar adormecidas para sempre.

[ Ler sem fronteiras ]

[ Escrever para crianças ]


LER SEM FRONTEIRAS

Sob o título "Os Livros podem ser pontes" ou, se preferirmos, "Ler sem fronteiras" (a expressão usada pelos países francófones), realizou-se de 13 a 16 de Maio passado em Saarbrücken, na Alemanha, o 2° Salão Europeu do Livro Infanto-Juvenil.

No certame deste ano, estiveram representados mais países europeus do que no primeiro, mas ainda não foi desta vez que Portugal aí participou: uma vez mais brilhámos pela nossa ausência no estrangeiro num acontecimento cultural.

E se eu tive o grande prazer de lá estar presente, a convite dos organizadores, foi através do distribuidor, na Bélgica, do livro L'Aventure de Barry que editei em língua francesa em Dezembro de 1999. O meu distribuidor teve a amabilidade de levar consigo alguns exemplares de A Aventura do Barry, a versão portuguesa em CD-ROM que entretanto saíu em Portugal. Mas, obviamente, isso não tinha carácter oficial, foi simplesmente um gesto simpático da parte deles.

A finalidade destas linhas, todavia, é alertar os responsáveis no nosso país para a importância de iniciativas como o salão do livro de Saarbrücken, e para a necessidade urgente de promover o interesse das crianças para a palavra escrita. As crianças apreciam quando lhes possibilitamos o acesso à leitura, através do qual podem tomar contacto com novos mundos e gentes até aí desconhecidos. É preciso, evidentemente, saber como sensibilizá-las para essa leitura, pois os dados revelados, na Alemanha, pelo estudo PISA, não são nada animadores. Segundo as próprias palavras de Jürgen Schreier, Ministro da Cultura e Ciência da Alemanha, no seu discurso de abertura do salão "25% dos jovens de 15 anos não conseguem compreender correctamente um texto, não têm a capacidade de explicar com palavras suas o que acabaram de ler"! Esta é a situação num país onde as pessoas têm (ou, pelo menos, tinham...) por tradição o hábito da leitura, onde se paga para se ir ouvir um escritor ler e falar daquilo que escreveu. O que seria se um estudo semelhante fosse feito em Portugal?!?! *.

Qual é, pois, uma das maneiras de sensibilizar as crianças para a leitura se, como infelizmente parece ser o caso, essa iniciação à leitura não é feita no seio da própria família? E aí é que reside principalmente o problema. O salão do livro de Saarbrücken mostrou-nos vários caminhos. E um deles tem a ver exactamente com o convite feito a alguns autores, quer alemães quer estrangeiros. O nosso programa incluía a leitura em escolas. O interesse extraordinário que despertou nas crianças o simples facto de saberem que um escritor vinha à escola para lhes ler uma ou mais estórias, era por si só já um despertar para a leitura. E gostaria de vos contar o que se passou numa das escolas. Mas, antes, devo esclarecer alguns pontos de interesse.

Tendo a região do Saar alguma tradição também francófona, por razões históricas e geográficas, é muito vulgar que os Alemães ali falem também um pouco o francês. Existe, inclusivamente, uma escola francesa que funciona a partir do jardim de infância, frequentada indiferentemente por Alemães ou Franceses. E é muito vulgar que nas escolas alemãs se encontrem crianças cuja língua materna é o francês, pois igualmente muitos Franceses vivem naquela região.

A minha primeira leitura era numa escola alemã, por isso, li duas das estórias do meu livro que tinha traduzido entretanto para alemão. Devo dizer que não é fácil conseguir manter mais ou menos quietas e caladas cerca de 70 crianças entre os 6-7 e os 8-9, durante uma hora e meia. A leitura deveria ter sido feita individualmente para cada classe, e durante um período inferior a uma hora, não ao mesmo tempo a três classes diferentes, mas compreende-se que os professores quisessem que o máximo de crianças aproveitassem a experiência.

Ao fim de cerca de uma hora, eu já tinha lido as duas estórias e tinha falado um pouco com os miúdos - como costumo fazer quando vou fazer leitura numa escola. O director diz-me, então, que se algumas crianças tinham estado um pouco mais irrequietas é porque eram francesas e não tinham compreendido tudo; que esse era um dos grandes problemas nas aulas: quando se falava alemão, os de língua francesa nem sempre percebiam tudo; quando se falava francês, eram os de língua alemã que ficavam sem perceber. Sugeri que, nesse caso, visto que ainda tínhamos tempo, eu lesse uma das estórias em francês. O que fiz. E foi a vez dos pequenos alemães quererem ir "beber água", ou "ir aos lavabos",

No fim da leitura, contudo, todos queriam abraçar-me, testemunhar-me o seu reconhecimento e, de entre todos, havia uma miúda especialmente afectuosa para comigo. O director lamenta-se de novo, dizendo que, além dos problemas de língua com os miúdos alemães e os franceses, ainda tinham casos piores, pois algumas crianças vinham ainda de outros países, como era o caso de X (e apontou a dita miúda), que chegara do Sri-Lanka e praticamente não falava nem alemão nem francês! Espantoso e, sobretudo, comovente, que aquela criança, que afinal não compreendera nenhuma das estórias, tivesse ficado tão feliz só pelo simples facto de eu lá ter ido dar-lhes um pouco do meu tempo!

Muito mais haveria para contar sobre a minha experiência, não só nas escolas alemãs durante o salão do livro, mas também nas belgas e francesas. O que é importante retirar de tudo isto, contudo, é o impacto positivo de tais iniciativas, quer sejam com autores ou com ilustradores de livros infantis, pois esses igualmente estiveram presentes e foram às escolas desenhar para as crianças. Outras iniciativas que fizeram parte do programa foram os teatros de robertos ou marionetas, concertos de música, etc.

Para quando uma iniciativa semelhante em Portugal - mesmo que a nível somente nacional? Talvez agora comecem a haver mudanças culturais no nosso país, num ambiente democrático e liberto de pressões por parte de certos grupos de pessoas que, nem fizeram, nem deixaram fazer. E se a minha experiência e modesto conhecimento sobre o assunto poderem ser de alguma utilidade, desde já apresento a minha disponibilidade para colaborar,

Os livros são efectivamente uma ponte para se ler sem fronteiras, sejam essas fronteiras geográficas, de raíz religiosa, económica, ou outras.

* Segundo informação que obtive mais tarde, a percentagem em Portugal é superior a 77%!!!

[ Escrever para crianças ]

[ Ser autor ]


ESCREVER PARA CRIANÇAS
Uma vida depois da reforma

Estas minhas linhas dirigem-se a todos os que terão o privilégio de se poderem reformar um dia, quer esse dia ainda esteja longe ou aconteça já amanhã. Ao escrevê-las, pretendo assegurar-vos de que há efectivamente uma vida para além da reforma, na maior parte dos casos muito mais gratificante sob o ponto de vista pessoal, intelectual e outros do que a nossa carreira profissional – mas que é conveniente começar a preparar, se possível, quando ainda activos nesta última.

Pessoalmente, considero que a regra para uma “carreira” agradável e com êxito depois da reforma assenta em três pontos principais: fazer o que gostamos, como gostamos, e quando gostamos! E isto é tanto mais importante quando durante a nossa vida profissional tivemos de trabalhar com pessoas e executar tarefas – que nem umas nem outras, não interessa mencionar aqui – que, em circunstância alguma, correspondiam às nossas qualificações académicas ou interesses intelectuais.

Quando ainda garota, já gostava de contar estórias a outras crianças como eu. Mais tarde, no liceu, contudo, preferia as provas escritas às orais, e lembro-me de que, um dia, escrevi um conto para o curso de História de que a professora gostou tanto, que me pediu para deixar o manuscrito na biblioteca do liceu. A escolha de um primeiro curso universitário em Letras e Literaturas foi não só uma escolha judiciosa como também uma maneira de proporcionar a mim própria momentos agradáveis na minha rotina profissional. E, curiosamente também, mesmo o curso de Ciências que tirei anos mais tarde quando voltei a pisar o campo universitário (desta vez com uma universidade inglesa), deu-me a oportunidade de continuar a me exprimir plenamente por palavras noutras línguas. Conseguir transformar esta paixão pela palavra escrita num “trabalho” a tempo inteiro depois de me reformar, estava somente à distância de alguns toques nas teclas do meu computador...

E como o conhecimento deve ser partilhado, sob pena de se tornar estéril, ao me aperceber das enormes dificuldades das crianças e dos jovens relativamente à leitura e à sua relação com a cultura em geral, achei que escrever para esta faixa etária – que representa o futuro de qualquer país e pela qual sinto um grande afecto – era a direcção natural que eu devia tomar. Criei assim o projecto pedagogico www.barry4kids.net e saíu paralelamente um primeiro livro para crianças – L’Aventure de Barry – publicado em francês em 1999 (esgotado), a que se seguiu dois anos mais tarde o CD-Rom em português dos mesmos contos (também esgotado)

[ Ser autor ]


SER AUTOR

"Ser autor de um livro é ter a paixão de viver, ser feliz a escrever (...)".

Com esta frase, começava um dos poemas que me foram dedicados por algumas crianças das escolas de Longwy, na França, quando da minha visita, em Maio de 2002, por ocasião do encontro dos alunos com os autores dos livros lidos e trabalhados na escola. Acho extraordinário que uma criança de nove anos tenha a sensibilidade e, diria mesmo, a maturidade de um pensamento tão profundo e que define, numa expressão simples e clara, o significado do acto de escrever.

Escrever tem sido para mim, efectivamente, uma necessidade e uma fonte de alegria constantes, embora nem sempre com uma continuidade ou um fio condutor semelhantes, quer do ponto de vista do conteúdo, quer da forma. Mas escrever para crianças é algo de especial, que me proporciona uma maior realização e enriquecimento pessoais. Uma estória para crianças deve ter um discurso autêntico e espontâneo e desenvolver um laço afectivo entre o leitor, as personagens e o autor. Por isso, tenho sempre procurado continuar a ver o mundo através de um olhar de criança. E se as crianças têm sabido compreender tão bem as mensagens implícitas nas minhas estórias é porque se identificam com as personagens, os seus defeitos, virtudes, desgostos e desejos.

Muitos autores escrevem pura ficção; eu prefiro extrair da própria vida os temas dos meus contos ou das minhas novelas. E assim como a nossa experiência do passado é o nosso guia no futuro, também o curso da nossa vivência influencia o discurso do nosso dia-a-dia.

Escrever permite a busca e o encontro consigo mesmo. Busca, porque através das personagens de um livro podemos interpelar-nos e interpelar os outros. Encontro, porque mesmo que não encontremos logo (ou nunca) a resposta que procuramos, tomamos consciência da realidade dos problemas que existem. E tal como só nos podemos tratar de uma doença se aceitarmos que estamos doentes, também esses problemas só podem ser resolvidos se tomarmos conhecimento da sua existência e formos ao seu encontro.

Através do discurso escrito, avançamos na descoberta da dualidade das coisas, pois tudo tem o seu oposto: direita/esquerda; afirmação/negação; positivo/negativo. A nossa escolha, que deve ser livre, decidirá do caminho a tomar, e cada caminho conduzir-nos-á a um destino diferente. Não existe fatalismo, é a nossa escolha que determina o nosso próprio destino.

A escrita é um interlocutor paciente que não questiona as nossas perguntas mas que nos sabe sugerir respostas, ajudando-nos a analisar os factos de uma maneira mais objectiva e lúcida. Ao construirmos uma personagem estamos a caracterizá-la, permitindo-lhe que faça as mesmas perguntas que nós e, no fundo, as mesmas perguntas que toda a gente. As respostas, essas são, evidentemente, individuais.

 
 
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