Abaixo, transcrevo a carta-aberta dos Amigos do Museu Nacional de Arqueologia à República Portuguesa sobre a não recondução do Dr. Luís Raposo como Director do Museu Nacional de Arqueologia.
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CARTA-ABERTA à República Portuguesa Cidadãos
Foi com surpresa e indignação que recebemos a notícia de que Luís Raposo não havia sido reconduzido na direcção do Museu Nacional de Arqueologia.
Com surpresa porque o Estado não invocou uma só razão que pudesse servir ao menos para tentar fundamentar o facto.
Com indignação porque também não lhe negou o mérito profissional enquanto director.
Que futuro queremos para os museus nacionais? Que futuro para as instituições em que se guarda a memória histórica da nação?
Olhamos para trás e recordamos os nomes de Possidónio da Silva, Martins Sarmento, Leite de Vasconcelos, Vergílio Correia, Reynaldo dos Santos, José de Figueiredo,
João Couto e muitos mais, entre toda uma plêiade de precursores e de directores de museus de notável mérito.
Mas alguém se lembra de quem eram os directores-gerais, secretários de Estado ou até ministros dessas alturas? Certamente ninguém.
A não recondução de Luís Raposo como director ultrapassa em muito a pessoa e o acontecimento em si. É certo que estamos perante alguém que fez tanto pelo nosso museu,
pelo património e pela cultura portuguesa em geral que ganhou o direito a figurar em honrosa lista, a par dos seus antecessores.
O que perguntamos é que País queremos, e que País estamos a construir. Quais são as novas orientações políticas que justificam o afastamento de quem tem atrás de si obra
tão meritória e sempre se pautou por uma frontalidade e uma verticalidade que o honram e nos engrandecem colectivamente? Quem é o pequeno deus caseiro que decide a duração
dos mandatos directivos em instituições onde se deveria prezar a estabilidade e deveriam estar ao abrigo de flutuações de governação corrente?
O que aconteceu a Luís Raposo aconteceu a todos nós e leva-nos a questionar a transparência de processos de decisão do Estado e a ética dos seus actores,
ofendendo o nosso sentido de justiça e de reconhecimento do mérito.
Caso o iníquo despacho de não recondução de que Luís Raposo foi alvo não seja administrativa ou judicialmente revogado, pedimos-lhe então que ele não desista
e que concorra novamente ao mesmo lugar para o qual está mais do que habilitado.
A Direcção do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia.
16 de Janeiro de 2012
A internet tornou-se um lugar bastante inseguro e o pouco que podemos fazer contra isso devemos passar aos outros. Aqui vai uma dica, que espero seja útil.
Muitos de nós já tivemos a desagradável surpresa de saber que a nossa lista de endereços foi piratada e que mensagens fraudulentas foram enviadas em nosso nome aos nossos amigos e conhecidos.
Há alguns anos, um amigo explicou-me um “truque” para evitar esse género de piratagem. É simples e, pelo menos para mim, tem funcionado.
Como primeiro nome e respectivo endereço na vossa lista devem escrever três ou quatro zeros - “0000”. Como os zeros não são um endereço electrónico,
que deverá sempre ter o símbolo “@”, não se poderá passar desse endereço para copiar os outros. Abaixo, uma imagem para melhor exemplificação.
Algumas das pessoas que visitam as minhas páginas das plantas medicinais colocam-me, por vezes,
perguntas cujas respostas poderão interessar outros leitores com as mesmas dúvidas. Esclareci as questões que me foram postas até agora no meu bilhete de
3 de Novembro de 2011, mas resolvi publicá-las de novo. Espero que sejam de utilidade.
SOBRE A URTIGA
Conceição Pereira, de Lisboa, perguntou-me se a urtiga branca era a mesma planta que a urtiga comum. Foi uma pergunta muito importante, relativamente à qual esclareci o seguinte.
A urtiga comum, nome científico urtica dioica (aquela de que falo no meu artigo), pertence a uma família diferente da urtiga branca, cujo nome científico é lamium album.
Não se devem confundir, embora o aspecto seja semelhante, mas a urtiga branca não “pica”, isto é, não tem características urticantes.
As flores da urtiga branca são igualmente bastante diferentes das da urtiga comum. Contudo, têm algumas propriedades em comum: ambas são benéficas em casos de reumatismo e gota
(especialmente a urtiga branca) e obstipação; uso externo em casos de contusões e queimaduras. As sumidades floridas de ambas as plantas são ricas em taninos e mucilagens.
Raquel de Albuquerque, de Mauá, perguntou-me onde poderia encontrar mudas de urtiga, pois estava fazendo um curso de plantação de tomates orgânicos em Suzano e o professor tinha falado sobre a planta.
E acrescentou “aí me lembrei do tempo de infância em que a minha avó tinha um plantio de urtigas”. E como jovem interessada, foi pesquisar e encontrou o meu artigo.
Quando a Raquel me escreveu, já era o fim da Primavera no Brasil e o tempo certamente estava muito quente e as urtigas quase em flor, o que não era a estação ideal para as transplantar.
Elas gostam mesmo é de frescura. Assim, respondi: Contudo, se tem por aí perto terrenos incultos, tente ver por baixo ou à volta de árvores ou arbustos se encontra alguma urtiga.
Se assim for, com uma pequena pá de jardinagem (que deve levar consigo) faça um rego circular a toda a volta da planta, depois meta a pá por baixo e retire a planta com esse torrão à volta.
Replante à sombra e rege copiosamente, e depois também todos os dias para manter a frescura. Se a planta resistir, em breve dará flores. Depois, é só estar atenta às sementes, e para o ano que vem terá lindas plantas.
José Luiz, de Luziania-Goias, perguntou-me se a urtiga fazia bem às pessoas que têm psoríase crónica e como poderia obter a planta. A minha resposta foi:
Vou contar-lhe a minha experiência. Desde criança que tinha os cabelos gordurosos e com caspa. Aí por volta dos 50 e tantos anos, comecei a interessar-me mais pelas plantas da saúde (medicinais)
e uma das primeiras foi exactamente a ortiga. Para prevenir a osteoporose, comecei a tomar drageias de ortiga e a fazer chá da planta.
Desde há muitos anos que deixei de ter o cabelo gorduroso e, portanto e caspa e o meu cabelo tem um ar saudável como nunca teve enquanto eu era jovem. As pessoas até chegam a elogiar-me o cabelo que tenho.
Não sei se terá algum efeito na psoríase, mas experimente, porque a ortiga é uma planta maravilhosa que só lhe vai fazer bem, também a nível geral.
Pode consumi-la em drageias, por exemplo da marca Arko (Arkocaps) se a encontrar nos USA. E para os seus chás, dê uma volta pelos campos, pois elas encontram-se normalmente por todo o lado e também nos jardins.
Se conseguir arranjar sementes, então pode criar mesmo um canteiro de ortigas. O seu efeito benéfico estende-se também às plantas plantadas ao lado.
Conceição Pereira, de Lisboa, perguntou-me com que frequência se poderia tomar infusão de urtiga e se haveria alguma contra-indicação em a tomar todos os dias.
Respondi-lhe que A infusão de ortigas não tem qualquer contra-indicação – a não ser que a pessoa seja alérgica a alguma substância que a compõe, o que é altamente improvável.
Pode, assim tomá-la todos os dias, de preferência durante um período de três semanas. Normalmente, todas as plantas devem ser tomadas durante esse período de tempo, depois repouso de uma semana.
E isto pela simples razão de que os efeitos dos princípios activos das plantas se prolongam por cerca de uma semana.
O que não acontece, evidementemente, com os medicamentos sintécticos, que são de acção imediata, porém nunca vão ao fundo do problema, mas sim “camuflam” as verdadeiras causas do mesmo
e, na maior parte dos casos, como sabe, acabam por provocar outros problemas colaterais. Há plantas que têm contra-indicações, mas sobre essas não escrevo.
Tem como exemplo a beladona, que em pequenas doses pode ter efeitos benéficos, mas que por outro lado pode ser mortal; era um dos venenos utilizados na antiga Roma.
Mas há tantas plantas na natureza que não fazem mal nenhum e têm o mesmo efeito das outras, que não precisamos de utilizar aquelas que poderão trazer complicações.
Obviamente que há casos pontuais em que uma planta absolutamente inofensiva possa ter algumas contra-indicações. É o caso da salsa, que é desaconselhável às grávidas porque pode causar aborto.
SOBRE A SALSA
Dirley Ferreira, de Santo Antônio do Descoberto, ao ler sobre a salsa, admirou-se de ser uma planta com tantas virtudes para a saúde. Respondi-lhe que:
A salsa é efectivamente óptima para a saúde e fácil de cultivar. Eu tenho um grande jardim em Portugal, mas também a cultivo em vaso (pote enorme).
Costumo pôr as folhas da salsa na salada, inteiras, como se fossem também salada.
OUTRAS PERGUNTAS
Luís Marchana, de Palmela, queria saber qual o nome de uma planta que existe denominada por ' isca' ( no Alentejo e Beira Baixa ). já tinha consultado alguns livros e não tinha encontrado.
Eis o que lhe respondi: Não encontra efectivamente o nome da planta em nenhum livro porque na realidade não existe nenhuma planta com esse nome.
Chama-se 'planta-isca' a qualquer planta capaz de fixar o nitrogénio atmosférico graças à simbiose com uma determinada bactéria (chamada rizóbio) que se encontra na raíz dessas mesmas plantas.
Estas plantas (normalmente leguminosas) são por exemplo a alfafa, o trevo, lentilhas, feijões, ervilhas, soja, amendoim...
É uma tecnologia natural, biológica, que substitui com vantagem a adubação nitrogenada. Chama-se 'planta-isca' a qualquer dessas plantas porque (tal como uma isca de pesca atrai o peixe) serve para atrair a bactéria do grupo rizóbio.
Parece que é de grande utilidade na agricultura biológica.
Nágila Pessoa, de Brumado-Bahia, pediu-me informações sobre a amora, fruto que está tendo o maior sucesso no Brasil por causa dos seus poderes medicinais.
Embora ainda não tivesse escrito nada sobre este fruto, adoro também amoras e foi um prazer responder: Pergunta-me sobre a amora, mas antes de responder,
gostaria de salientar que em português chamamos ‘amora’ a frutos de duas espécies completamente distintas – embora ambos muito bons para a nossa saúde e de gosto e aspecto semelhantes.
Um é o fruto da amoreira (morus nigra), árvore ou arbusto da família das Moráceas, de cujas folhas se alimenta o bicho da seda.
O outro é o fruto da silva ou amora silvestre (rubus fructicosus), planta lenhosa da família das Rosáceas, cujos frutos gostamos de colher quando vamos para os bosques.
As amoras da silva são dos frutos frescos mais ricos em anti-oxidantes e, além de deliciosas, são poderosas para combater (quase) toda a espécie de doenças.
São frutos com elevado teor de vitamina C e também manganésio, ricos em pectina (fibra solúvel) e em ácido acetilsalicílico (o princípio activo da aspirina),
sem contudo terem as mesmas contra-indicações dos produtos farmacêuticos industriais. Estudos recentes mostram a importância das amoras no combate ao cancro,
possivelmente devido à presença de ácido gálico que contribui para refrear a proliferação das céluluas cancerígenas, por exemplo, em cancros da próstata.
Quanto às amoras da amoreira, as suas virtudes são praticamente idênticas às das amoras silvestres, mas parece que os seus carotenóides têm acção anti-oxidante e protectora dos olhos.
As amoras da amoreira são igualmente ricas em ferro (o que é raro entre os frutos de baga), potássio, manganésio, magnésio e vitaminas do grupo B.
Nuno Torrete, do Montijo, perguntou-me se conhecia por entre a nossa flora portuguesa,alguma flor, raíz, que seja usada no tratamento de vitiligo.
A minha resposta possivelmente não ajudou muito: Gostaria muito de poder dar-lhe a informação que me pediu, mas as plantas que conheço que tratam do vitiligo são de origem asiática,
como o Ginko Biloba e, sobretudo, a Psoralea Corylifolia, uma planta da família das Leguminosas muito usada em medicina iurvédica na Índia, de onde é originária.
Desconheço se outras Leguminosas têm os mesmos efeitos. Todavia, atendendo a que é o psoraleno (composto químico que está na base de outros derivados),
segundo parece, o responsável pela acção benéfica da planta, e que este composto químico existe também noutras plantas como o aipo e a salsa, e mesmo a figueira-comum,
é possível que alguma destas plantas tenha também um efeito sobre o vitiligo. É uma questão de experimentar. Eu utilizo certas plantas ou substâncias naturais para fins terapêuticos
que não são mencionadas em nenhum livro ou artigo, mas que a minha própria experiência me mostrou que resultam efectivamente.
Quanto a plantas originárias do Brasil e usadas no tratamento dessa doença, desconheço. Vou fazer pesquisa sobre a mama-cadela.
E, para terminar por hoje, gostaria de convidar os meus leitores a virem “tomar uma infusão de plantas” aqui neste espaço verde, sempre que o desejarem.