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Dulce Rodrigues, escritora

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CAFÉ MAJESTIC E LIVRARIA LELLO, DOIS ÍCONES DO PORTO

Ir ao Porto e não encontrar tempo para tomar uma bebida no mítico Café Majestic é uma falta imperdoável que tive de reparar agora. Lugar de convívio e de cultura, de grande beleza arquitectónica, este café do Porto é um ícone da cidade e por ali passaram figuras ilustres da História de Portugal, como o almirante Gago Coutinho, o herói da Primeira Travessia do Atlântico Sul em 1922. E parece que a autora de Harry Potter era também uma sua assídua frequentadora durante o período em que viveu no Porto.

Café Majestic, Porto

Café Majestic, Porto

Outro lugar de cultura e de amor pelos livros e verdadeiro ex-líbris do Porto é a Livraria Lello, que conheci agora também pela primeira vez, embora já tivesse visto várias fotografias que me deixaram maravilhada. Datam de 1995 os trabalhos de transformação no interior da livraria e certamente o mesmo se pode dizer das fotografias que a retratam no seu máximo explendor, pois, presentemente, tanto o interior como a fachada estão de novo precisando de alguns trabalhos de restauro. A beleza continua patente na sua fachada, mistura de Arte Nova e estilo neogótico; nas suas decorações interiores em gesso pintado a imitar madeira; na sua requintada escada de acesso ao piso superior e no sublime vitral do tecto, mas o estado avançado de degradação é já notório e requer urgente acção de restauro.

Livraria Lello, Porto   Livraria Lello, Porto   Livraria Lello, Porto

Livraria Lello, Porto

Livraria Lello, Porto

A Livraria Lello é uma das três mais belas do mundo. Não podemos deixá-la perecer por desleixo ou falta de meios financeiros. Em Portugal, país onde se pagam 35 mil euros mensais a uma locutora da televisão e se esbanjam rios de dinheiro em futilidades, certamente que se encontrará dinheiro para pagar as obras de restauração de que precisa urgentemente esta maravilha arquitectónica da cidade do Porto.

Postado por Dulce Rodrigues a 10 de Setembro de 2010

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RÉGUA E O SEU MUSEU DO DOURO

Algo que não compreendi ainda muito bem é por que razão a CP suprimiu o comboio da linha do Corgo, substituindo-o por autocarros enormes que fazem o percurso entre Vila Real e a Régua (e vice-versa) praticamente “às moscas”. Numa altura em que por toda a Europa se faz um esforço para eliminar os transportes poluidores, substituindo-os tanto quanto possível por outros mais amigos do ambiente, como os comboios, em Portugal faz-se o inverso. Claro que todos nós sabemos que o que interessa à CP são os lucros da companhia que irão para os bolsos das cabecinhas pensadoras dos seus gerentes. Quanto aos utentes... que paguem mesmo por maus serviços. E quanto ao pessoal que é despedido por falta de postos de trabalho, aqueles que ainda têm a sorte de ter um emprego, que paguem para os que estão no desemprego...

No regresso à Régua, fiz portanto o percurso no dito autocarro onde viajavam também mais algumas “moscas” e fiquei hospedada no Hotel Régua Douro. Este é realmente um hotel de 4 estrelas, de onde se disfruta uma vista magnífica sobre o rio, desde que se pague um suplemento pelo quarto para se ter esse privilégio.

paisagem do Douro, Régua

paisagem do Douro, Régua

Na manhã seguinte, antes de seguir para o Porto no comboio da Linha do Douro – que a CP teve a bondade de ainda não eliminar – fui até ao Solar da Régua, um espaço museológico e de promoção que faz parte do Museu do Douro.

Museu do Douro, Régua

O tempo continuava maravilhoso e a viagem de comboio, apesar de não corresponder aos requisitos de conforto a que nos habituámos nos últimos anos, fazia-me esquecer esses inconvenientes proporcionando-me o desfrutar das magníficas paisagens do Douro vinhateiro.

paisagem do Douro

Postado por Dulce Rodrigues a 9 de Setembro de 2010

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VILA REAL E A REGIÃO DO DOURO VINHATEIRO

Aproveitando o facto de o meu filho Eduardo ir apresentar uma comunicação na Universidade de Trás-Os-Montes, em Vila Real, durante o recente congresso Física 2010 organizado pela Sociedade Portuguesa de Física, dei uma voltinha por aquela região de Portugal de que gosto tanto, culminando com uma estadia rápida lá em casa com os meus Velhotes.

paisagem do Douro

paisagem do Douro

Em Vila Real, fiquei no Hotel Miracorgo, o mesmo em que já tinha estado quando de um mini-cruzeiro pelo Douro em 2008. O hotel está agora classificado com 4 estrelas, mas em boa verdade, não tem condições para mais de 3 como anteriormente. Houve algumas melhorias, mas não são suficientes. Aspecto “gastronomia”, foi uma grande desilusão, pois a cozinha portuguesa era inexistente. Para comer massas, faço-as em casa, pois é um prato que fica barato. E já me bastam as massas (e as pizas) que como quando vou a Itália! Com uma gastronomia riquíssima como a de Portugal, é inaceitável! E depois admiramo-nos por a cozinha portuguesa ser ignorada pela maior parte dos estrangeiros! Se nem no nosso país sabemos fazer descobrir a gastronomia portuguesa em geral e a regional em particular a quem nos visita, como admirarmo-nos?!

Visto que falo de gastronomia portuguesa, um conselho a quem for a Vila Real. Não se esqueça de que uma das doçarias da cidade são as cristas de galo.

Vila Real deixou-me de novo desiludida. A cidade é pouco limpa e o chamado parque florestal não é mais do que uma selva suja, que de parque florestal tem pouco ou quase nada. Uma pena, pois as potencialidades são enormes, a região é belíssima. Mas, assim é Portugal!.

Parque florestal, Vila Real

Parque florestal, Vila Real

Não é uma laje com hieróglifos, não senhor. São pegadas sobre a camada de cimento que os pedreiros deixaram no parque florestal, pois em Portugal, não há o hábito dos empreiteiros deixarem limpa a zona em que trabalharam! Como os ilustres vereadores e inspectores não se dão ao trabalho de ir inspeccionar, o lixo fica no sítio onde foi feito, perante a indiferença da maioria dos Portugueses que parece ser “cega” a toda esta lixeira...

sanitários no Parque florestal, Vila Real

Estes são os higiénicos e moderníssimos sanitários do parque. Que pena não dar uma dor de barriga ao senhor presidente da Câmara quando... digo bem "quando" um dia visitar o parque!.

Vila Real foi berço do grande navegador português Diogo Cão. Seria, pois, de esperar que a sua casa estivesse cuidadosamente preservada como monumento... situado mesmo em frente da Câmara. Não é o caso. Embora não esteja a cair em ruínas como tantas outras casas onde nasceram ou moraram Portugueses ilustres, também não se pode dizer que esteja em perfeito estado de conservação.

Casa de Diogo Cão, Vila Real

O aspecto humano, em contrapartida, deixou-me agradavelmente surpresa. Os Transmontanos tornaram-se anfitriões mais abertos e simpáticos do que era habitual. Um destaque muito especial para a jovem funcionária do Turismo de Vila Real. Foi um prazer falar com ela.

Outra nota positiva vai para o pequeno mas rico Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real. Começado com apenas nove moedas romanas compradas a três crianças e com um machado neolítico oferecido por um colega, o acervo do museu conta hoje com cerca de 35 mil moedas e objectos representativos da época megalítica à dominação romanda, passando pelas Idades do Bronze e do Ferro. Os objectos estão bem identificados e todo o museu é um exemplo vivo de que um museu de pequenas dimensões pode ser grande na sua dimensão pedagógica.

Postado por Dulce Rodrigues a 7 de Setembro de 2010

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A CIDADE DE BASILEIA CELEBRA A SUA UNIVERSIDADE

O viajante que se desloca de comboio a Genebra indo da Bélgica ou do Luxemburgo, pára inevitavelmente em Basileia para mudar de comboio. Pode, assim, aproveitar para visitar a cidade e os arredores antes de continuar viagem. Foi o que fiz hoje, embora dispondo somente de algumas horas. Mas deu para uma volta no centro da cidade. A última vez que tinha estado em Basileia remonta a 24 de Setembro de 2004, quando da exposição sobre o jovem faró do Egipto Tutankamon. E quanto à primeira, já lá vão mais de 40 anos...

Nessa primeira vez, visitei vários lugares à volta do lago Constança, como as cataratas do Reno (as maiores da Europa, segundo parece) e também a bonita ilha de Mainau, com a sua vegetação tropical, um oásis de verdura e flores à volta de um palácio do século XIX.

Mas, não foi propriamente para falar destes tempos maravilhosos da minha juventude que estou a escrever estas linhas. Este ano a Universidade de Basileia celebra 550 anos de existência e, como acontece com a maioria dos países que se orgulham da sua história e do seu património cultural, esta efeméride é lembrada em todos os cantos da cidade.

A nossa Universidade de Lisboa foi criada em 1290 com o nome de Estúdio Geral. Em 1308, pelo que parece por divergências com a Igreja, foi transferida para Coimbra. Quer consideremos Lisboa ou Coimbra, a verdade é que a nossa universidade é uma das mais antigas da Europa, portanto, do mundo.

Quais as comemorações que se realizaram em 1990 (700 anos da criação em Lisboa) ou em 2008 (700 da transferência para Coimbra)? Quem souber a resposta...

Postado por Dulce Rodrigues a 30 de Agosto de 2010

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O JARDIM BOTÂNICO DE GENEBRA

Estive recentemente em Genebra de visita a um dos meus filhos e, como não podia deixar de ser, sempre que o tempo permite, fui até ao Jardim Botânico.

jardim botânico de Genebra

Adoro jardins e o Jardim Botânico de Genebra é um dos mais belos que conheço. Situado não muito longe do centro da cidade e estendendo-se ao longo de uma parte do lago, é uma janela aberta para a magnífica paisagem dos Alpes, um belo lugar de lazer e de sensibilização à conservação da natureza.

jardim botânico de Genebra
Etiquetagem das plantas

Mas não é só isso. O Jardim Botânico – que inclui também um conservatório, uma biblioteca e um erbário – é um museu vivo, ao ar livre, com uma forte componente didáctica. Este é, sem dúvida, um dos aspectos que mais me encanta, pois, aqueles que me conhecem sabem bem quanto me interessa não só a preservação da natureza, mas também todo o material didáctico que a natureza nos pode proporcionar. A gestão da colecção de plantas do jardim implica a catalogação e etiquetagem de praticamente todas as plantas que aí se encontram.

E como a base da colecção de um jardim botânico implica a troca recíproca de sementes com outros jardins do mundo, o Jardim Botânico de Genebra corresponde-se com cerca de 800 outros jardins botânicos espalhados pelo mundo. O Jardim Botânico de Genebra abriga, assim, plantas vindas directamente dos países de origem.

jardim botânico de Genebra

De entre as várias secções em que está dividido o jardim, destacam-se as estufas, os jardins pedregosos (conhecidos em arquitectura paisagística como “rocailles”) e o arboreto (arboretum) ou área destinada ao cultivo de uma coleção de árvores ou arbustos. Quanto ao herbário, não se encontra infelizmente aberto ao público, mas organizam visitas de grupo várias vezes por ano.

Para celebrar o Ano international da biodiversidade, o Conservatório e o Jardim botânico apresentam até ao dia 17 de Outubro a exposição IN SITU EX SITU. Trata-se de um conjunto de fotografias magníficas da fauna e flora regionais, cedidas por Pro Natura Genève para comemorar o centenário da associação.

melro de água

chapim-real

morcego

libélula

borboleta

aranha

lagarto

Termino este meu resumido “passeio” pelo Jardim Botânico de Genebra convidando os leitores a visitarem também as minhas Plantas amigas da nossa saúde onde encontrarão o meu modesto fotorama (sempre em actualização com novas flores).

Postado por Dulce Rodrigues a 10 de Agosto de 2010

TAGS: escritores portugueses, blogue escritora dulce rodrigues, jardim botanico genebra, fauna e flora suiça, biblioteca e arboreto genebra

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O MEU "VELHOTE" FEZ HOJE 95 ANOS
Muitos parabéns!

Os 95 anos do meu "velhote"! Uma data para comemorar; não é todos os dias que algém chega a esta linda idade! Como ele não gosta de festas, mas adora comer, tivemos um bom almoço no jardim, à sombra do caramanchão. E esteve pelo menos rodeado daqueles de quem mais gosta: mulher, filha e sobretudo... os netos.

Postado por Dulce Rodrigues a 15 de Julho de 2010

TAGS: escritores portugueses, blogue escritora dulce rodrigues, envelhecer bem, longevidade, terceira idade

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OS MORANGOS DO MEU JARDIM

Há cerca de quatro anos, comprei seis pés de morangueiro para plantar no meio de um canteiro de flores ainda um pouco vazio, no meu jardim da Bélgica: os morangueiros são umas bonitas plantas para decorar espaços ainda sem nada, tendo a vantagem de dar frutos quando chega a altura. Nada de produtos químicos (sou absolutamente contra isso), somente um solo vulgar, rega e sol, o que certamente foi do agrado dos ditos morangueiros, que se desenvolveram a um ritmo surpreendente. E no ano passado pelo Verão, num só dia de "colheita", apanhei a quantidade de morangos que se vê na foto.

morangos do meu jardim

Durante o Verão, regalei-me a comer quilos de morangos do meu jardim apanhados mesmo na ocasião. São pequenos mas deliciosos e bons para a saúde. Este ano, espero que a colheita seja igualmente farta.

Como vos falei no meu anterior artigo, os morangos cultivados em Espanha não têm nada a ver com os verdadeiros morangos...

Postado por Dulce Rodrigues a 16 de Maio de 2010

TAGS: escritores portugueses, blogue escritora dulce rodrigues, morangos, morangueiros, agricultura biologica, frutos saude, perigo morangos espanha

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MAIS VOZES DO QUE NOZES? COMA NOZES DE CAJU

Ontem fui fazer compras ao Cactus Belle Étoile em Bertrange e trouxe um pacote de nozes de caju. Enquanto estiver mau tempo, vou continuar a comer frutos secos. Adoro toda a espécie de nozes e as de caju, além de terem um bom sabor, são fonte de gorduras monoinsaturadas e de minerais essenciais como cobre, magnésio e fósforo.

Mas as nozes de caju trazem ainda mais benefícios ao corpo humano, pois protegem o coração contra o risco de doenças cardiovasculares e coronárias. Por isso, não deixe que haja "mais vozes do que nozes" e delicie-se a comer nozes de caju (ou qualquer outro género de nozes) pelo menos 4 vezes por semana e com moderação. Depois de ter estado na Índia em Fevereiro, passei a gostar ainda mais destes frutos secos.

Embora a Índia seja actualmente o maior produtor mundial de nozes de caju, esta planta é originária do Brasil. E aqui vai a história de como esta planta chegou à Índia. Os Portugueses descobriram-na no Brasil em 1578 e levaram-na para a Índia e também para a parte oriental da África. A intenção inicial ao plantarem as nogueiras de caju não era a produção de nozes para alimentação – que só aconteceu mais tarde – mas sim impedir a erosão da costa. As árvores adaptaram-se tão bem à Índia, especialmente na região de Kerala, que acabaram por se “naturalizar”. Numa das parecdes exteriores da igreja ortodoxa de Kottayam, no Kerala, pode ver-se um alto relevo representando um pássaro exótico (provavelmente também trazido do Brasil pelos Portugueses) que tem no bico uma noz de caju.

Igreja ortodoxa de Kottayam, Kerala, Índia    Igreja ortodoxa de Kottayam, Kerala, Índia

Postado por Dulce Rodrigues a 5 de Maio de 2010

TAGS: escritores portugueses, blogue escritora dulce rodrigues, virtudes nozes, beneficios frutos secos, saude alimentos, noz acaju, protecçao coraçao

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OS MORANGOS VINDOS DE ESPANHA

Desta vez, gostaria de vos falar do perigo dos morangos produzidos em Espanha fora de época. Dou-vos as informações (extraídas do artigo de Claude-Marie Vadrot em Politis de 12 de Abril de 2007) e a minha sugestão de como poupar a vossa saúde, utilizando o vosso poder de cidadão para combater este flagelo. Depois, cada um é livre de tomar a sua própria decisão… e de ir ao mercado comprar fruta da época.

Será que os morangos espanhóis cultivados em estufas são comestíveis?

A resposta é “NÃO”!

morangos de Espanha

Há já alguns anos que encontramos nos pequenos supermercados e nas grandes superfícies toda a espécie de fruta que não é da época. Todos nós sabemos – mesmo que por vezes façamos de conta que não estamos ao corrente disso – que o que é bom para a saúde é comer frutos e legumes da época. Hoje vou falar sobre os morangos espanhóis… se é que na verdade podemos chamar "morangos" àquelas coisas vermelhas e enormes que mais parecem tomates… e cujo gosto – se é que o têm – é mais ou menos o dos tomates...

Mas se o único problema desses morangos produzidos em estufas fosse a falta de sabor, ainda nos podíamos dar por felizes… Infelizmente, estes morangos apresentam outros problemas bem mais graves, a começar pelo facto de que o seu cultivo cobre cerca de seis mil hectares, dos quais uma grande parte alastra já ilegalmente pelo parque nacional de Doñana, uma extraordinária reserva de aves migradoras e nidificadoras da Europa – embora o poder regional a isso feche os olhos.

Para que estes morangos cheguem aos mercados europeus, devem ser transportados por camião e percorrer milhares de quilómetros. Cerca de 16.000 camiões fazem os percursos por ano. A uma média de dez toneladas por veículo, esses morangos valem o seu peso em CO2 e outros gases nocivos ao ambiente e ao homem.

Mas os perigos desta agricultura não são só estes. Sabe o leitor como é que estes morangos espanhóis são cultivados?

O morangueiro é uma planta vivaz que produz durante vários anos. Contudo, os morangueiros destinados a esta produção em estufa fora da época são destruídos todos os anos. Para dar morangos fora de época, as plantas produzidas in vitro são colocadas em frigoríficos no pino do Verão, a fim de simular o Inverno, o que activa a produção.

No Outono, a terra arenosa é limpa e esterilizada, e a microfauna destruída por meio de bromometano (ou brometo de metilo) e de cloropicrina. O bromometano é um poderoso veneno proíbido pelo protocolo de Montreal sobre os gases nocivos à camada de ozono. A cloropicrina, composta de cloro e de amoníaco, não é menos perigosa, pois bloqueia os alvéolos pulmona.

Os morangueiros são cultivados em terreno coberto por plástico preto e a irrigação inclui fertilizantes, pesticidas e fungicidas. Quanto à água de irrigação, provém de furos artesianos – dos quais mais de metade já foram instalados de modo ilegal. Tudo isto está a transformar esta parte da Andaluzia numa savana seca, provocando assim o êxodo das aves migradoras e a extinção dos últimos linces pardel, pois estes pequenos carnívoros (dos quais somente uma trintena deve subsistir ainda na região) alimentam-se de coelhos, animais também em vias de desaparecer. Por outro lado, para arranjar lugar para os morangueiros, já foram arrasados pelo menos 2.000 hectares de floresta.

A producção e a exportação destes morangos produzidos em Espanha começa um pouco antes do fim do Inverno e termina nos princípios do mês de Junho. Os trabalhadores devem nessa altura voltar às suas casas ou exilar-se algures em Espanha. Se contraíram doenças por causa dos produtos nocivos que respiraram, têm o direito de se tratar… à sua própria custa.

A maior parte dos produtores destes morangos espanhóis utiliza mão-de-obra marroquina, trabalhadores sazonais ou clandestinos mal pagos e alojados em condições precárias. Para se aquecerem à noite durante o Inverno, este trabalhadores queimam os resíduos dos plásticos que cobrem os morangueiros. De qualquer modo, todos os anos no fim da época desta cultura, as cinco mil toneladas de plásticos utilizados serão levadas pelo vento, enterradas de qualquer maneira e em qualquer sítio, ou queimadas no local ... Não será necessário dizer que nesta região da Andaluzia onde prospera esta aberrante agricultura as doenças pulmonares e de pele estão em franca progressão.

Quem se preocupa com isso?

Ninguém!

Por que razão os meios de comunicação não falam sobre o assunto?

Mistérios do que não é política e economicamente correcto...

Quando a região tiver sido completamente vandalizada e a produção se tiver tornado demadiado onerosa, os produtores transferirão tudo para Marrocos, país onde aliás já começaram a instalar-se... Mais tarde, irão provavelmente para a China... A população europeia ainda em vida encontrar-se-á doente ou no desemprego... mas feliz por comprar produtos baratos...

Que podemos fazer para combater este flagelo?

Cada um de nós é livre de agir em consciência e com conhecimento de causa: comprar ou boicotar a compra de qualquer artigo que não seja produzido em conformidade com as leis da natureza e/ou dos direitos humanos. Todos podemos escolher fazer um boicote pessoal. E se a maioria dos cidadãos assim procedessem, os grandes "tubarões" da economia seriam obrigados a mudar os seus métodos, sob pena de também eles porem em perigo a sua própria existência. A escolha está nas mãos de cada cidadão!

Postado por Dulce Rodrigues a 14 de Abril de 2010

TAGS: escritores portugueses, blogue escritora dulce rodrigues, morangos espanha, agricultura biologica, perigo saude, gases nocivos, camada ozono, pesticidas, fertilizantes quimicos

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